Estudo destaca potencial geológico da Bacia do Paraná e analisa desafios relacionados a custos, energia e proteção dos recursos hídricos
A Empresa de Pesquisa Energética divulgou um novo estudo sobre a mineralização de carbono, tecnologia que transforma o dióxido de carbono capturado em minerais estáveis no interior de determinadas formações geológicas.
A publicação integra uma série dedicada às tecnologias de captura e armazenamento de carbono e apresenta os fundamentos do processo, projetos internacionais em desenvolvimento e as possibilidades de aplicação no Brasil.
A mineralização é considerada uma alternativa para o armazenamento permanente do CO₂, já que o gás reage com minerais presentes em algumas rochas e passa a integrar compostos sólidos conhecidos como carbonatos.
Como funciona a mineralização
O processo utiliza reações que já ocorrem naturalmente em determinadas formações geológicas, mas que podem ser aceleradas por meio de tecnologias específicas.
Após ser capturado em instalações industriais, o dióxido de carbono pode ser transportado e injetado em rochas com características adequadas. Ao entrar em contato com os minerais presentes nessas formações, o CO₂ passa por uma reação química e é convertido em material sólido.
Essa transformação reduz o risco de o carbono retornar à atmosfera e diferencia a mineralização de outras modalidades de armazenamento subterrâneo, nas quais o gás permanece confinado em reservatórios geológicos.
Bacia do Paraná concentra estudos
O levantamento destaca o potencial das rochas máficas e ultramáficas, que possuem minerais capazes de reagir com o dióxido de carbono.
No Brasil, a Bacia do Paraná aparece como o principal foco das pesquisas relacionadas à tecnologia. A região possui formações geológicas consideradas promissoras para estudos sobre captura, injeção e mineralização do CO₂.
A EPE ressalta, entretanto, que novas pesquisas serão necessárias para avaliar a capacidade de armazenamento, a localização das formações adequadas e as condições de segurança para a implantação de futuros projetos.
Custos e demanda de energia são desafios
A mineralização de carbono ainda enfrenta obstáculos técnicos e econômicos para alcançar maior escala.
Entre os principais desafios estão os custos de captura, transporte e injeção do dióxido de carbono, além do consumo de energia necessário para acelerar as reações químicas.
A viabilidade dos projetos também depende da distância entre as fontes emissoras e as áreas de armazenamento. Quanto maior o percurso necessário para transportar o CO₂, maiores tendem a ser os custos de infraestrutura e operação.
Recursos hídricos exigem proteção
O estudo também chama atenção para a gestão da água utilizada nos processos e para a necessidade de proteger aquíferos e outros recursos hídricos subterrâneos.
Antes da implantação de qualquer empreendimento, será necessário aprofundar o conhecimento sobre as formações geológicas, o comportamento do dióxido de carbono no subsolo e os possíveis impactos sobre os reservatórios de água.
O planejamento deverá incluir monitoramento contínuo, avaliação de riscos e regras capazes de garantir a segurança ambiental dos projetos.
Tecnologia pode ajudar na redução de emissões
A captura e o armazenamento de carbono são apontados como instrumentos complementares para reduzir as emissões de setores que enfrentam maior dificuldade de descarbonização.
Indústrias como cimento, siderurgia, química, petróleo e gás poderão utilizar essas tecnologias para impedir que parte do dióxido de carbono gerado nos processos produtivos seja liberada na atmosfera.
A EPE avalia que a mineralização poderá integrar as estratégias brasileiras de transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas, desde que os projetos avancem com segurança técnica, viabilidade econômica e proteção ambiental.
Fonte: Brasil 61, com informações da Empresa de Pesquisa Energética