Documento articulado pela CACB propõe união política, liberdade econômica, segurança jurídica e mobilização do setor produtivo para o próximo ciclo de governo
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) iniciou uma mobilização nacional para ampliar as adesões ao manifesto “Rede Pauta Brasil: Pela reconciliação, pela liberdade e por um Brasil governado para todos”.
O documento reúne princípios defendidos pelo sistema associativista para o próximo ciclo político e propõe a superação da polarização, o fortalecimento das instituições, a liberdade de empreender e a criação de melhores condições para o desenvolvimento econômico.
O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, também à frente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, defendeu uma adesão ampla de entidades empresariais e da sociedade civil.
Segundo ele, quanto maior o número de signatários, maior será a representatividade do movimento nas futuras discussões com o governo.
“Queremos o maior número de adesões para mostrar representatividade do nosso sistema. Vamos dar as mãos e somar esse esforço. Quanto mais entidades assinarem o manifesto, mais força ganhamos para o futuro diálogo com o governo”, afirmou.
Independência entre os Poderes
O manifesto também defende o respeito às atribuições constitucionais do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Para Cotait, a separação clara das funções de cada Poder é necessária para fortalecer a segurança jurídica e criar um ambiente mais favorável aos investimentos e à geração de empregos.
“Pedimos também para que as instituições se reorganizem, para que o governo governe, que o Legislativo legisle e que o Judiciário julgue, cada um na sua competência e na sua função”, declarou.
Segundo ele, o objetivo é criar condições para ampliar o empreendedorismo, a geração de renda e o desenvolvimento dos negócios.
Mobilização reúne lideranças empresariais
O lançamento do manifesto reuniu cerca de 330 presidentes de federações e associações comerciais de diferentes regiões do país.
Durante o encontro, o presidente emérito da CACB, Guilherme Afif Domingos, defendeu maior participação do setor produtivo no debate político e econômico após as eleições.
Afif destacou que a atenção dos empresários não deve se concentrar apenas na disputa presidencial, mas também na nova composição do Congresso Nacional e na discussão de propostas que afetem diretamente a atividade econômica.
Entre os temas apontados como prioritários estão a Reforma Tributária e os efeitos das novas regras sobre micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional.
Pequenos negócios entram no centro da agenda
A defesa dos pequenos empreendedores ocupa espaço relevante no manifesto.
O documento coloca trabalho, liberdade econômica e desenvolvimento entre os principais eixos da proposta e sustenta que a geração de riqueza depende da capacidade de trabalhadores, comerciantes, produtores rurais, profissionais liberais e empresas de produzir e investir.
A CACB representa aproximadamente 2,3 mil associações comerciais e empresariais em todo o Brasil.
Dados apresentados pelas entidades mostram que o país possuía 24,1 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo no segundo trimestre de 2026.
Em 2025, micro e pequenas empresas responderam por 80,5% do saldo de empregos formais gerados no país.
Diante desse peso econômico, o movimento defende redução da burocracia, regras mais claras, segurança jurídica e condições que facilitem a atividade empresarial.
Participação feminina
O Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura também aderiu à mobilização.
A presidente do conselho, Ana Claudia Badra Cotait, afirmou que a entidade pretende ampliar a divulgação do manifesto entre suas redes e destacou o crescimento da participação feminina em espaços de representação política e institucional.
O documento pode receber adesões de pessoas físicas e empresas.
A proposta da CACB é utilizar o movimento como base para o diálogo com o próximo governo e com o Congresso, levando ao debate questões relacionadas a empreendedorismo, ambiente de negócios, segurança jurídica, tributação e desenvolvimento econômico.