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Entenda os pontos da negociação entre Trump e Putin

FolhaPress 18/02/2025 14:26

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Estados Unidos e Rússia fizeram a primeira reunião de alto nível desde antes da Guerra da Ucrânia, iniciada há quase três anos, nesta terça (18) em Riad, capital da Arábia Saudita.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ela resultou da iniciativa do novo presidente americano, Donald Trump, que deverá se encontrar no país árabe com Vladimir Putin em algum momento no futuro próximo.

Kiev e países europeus protestaram pelo formato bilateral adotado, sem participação externa, e afirmam que não irão aceitar qualquer imposição de paz sem serem consultados.

A seguir, veja os principais pontos colocados à mesa até aqui, segundo entrevistas e relatos de bastidor colhidos nos últimos dias por agências de notícias, a imprensa russa e a Folha. Por óbvio, são pontos todos em aberto.

CESSAR-FOGO

A prioridade mais imediata é a cessação dos combates, e especula-se que ela possa ser conseguida de forma temporária até a Páscoa, no fim de abril. Isso congelaria as linhas de batalha onde estão, com Putin dominando cerca de 20% da Ucrânia e Volodimir Zelenski, 0,002% da Rússia na região de Kursk.

CESSÃO TERRITORIAL

Até aqui, tudo indica que Trump dará a Putin o que abocanhou do vizinho, inclusive a Crimeia, anexada há 11 anos. O russo exige a retirada de Kursk, e poderá barganhar dizendo que deixa o pequeno trecho da província de Kharkiv (norte) que ocupa e não faz parte dos quatro territórios que anexou ilegalmente em 2022 e não domina completamente. Não é a subjugação que desejava do vizinho, mas ainda assim uma recompensa.

SESC PICASSO

Zelenski não tem muito o que fazer, dada a precariedade de sua posição militar, ainda mais com os EUA desejando parar de dar o apoio militar a Kiev. A compensação pode vir na promessa de rediscutir o status desses territórios no futuro, talvez em 15 anos, como havia sido negociado no quase acordo de paz de 2022.

ELEIÇÕES

Correm boatos de que Putin quer ver o acordo incluir uma cláusula para a realização de eleições na Ucrânia, como forma de ejetar Zelenski do poder. O mandato do presidente expirou em maio passado, e não há novo pleito porque o país está em estado de sítio --algo que um cessar-fogo em tese anularia. Rivais internos do líder se posicionam, mas não há hoje mais a oposição pró-Rússia forte que havia no passado, então uma eventual saída de Zelenski da cadeira terá mais um efeito simbólico.

NEUTRALIDADE DA UCRÂNIA

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Trump rifou qualquer possibilidade de Kiev entrar na Otan, de resto algo que vinha sendo enrolado pela aliança desde o convite de 2008. Com essa realidade, Londres sugeriu uma força de paz, mas a Rússia disse que não aceita nada com tropas ocidentais. Zelenski pediu 200 mil soldados para o contingente, algo irrealista, mas uma força menor e simbólica pode ser montada, restando saber com quais integrantes.

GARANTIAS DE SEGURANÇA

Se para o Kremlin a Otan fora é a garantia de segurança que deseja, para a Ucrânia é incerto o que poderá substituir a já negada admissão à aliança. Putin disse OK para uma integração à União Europeia, de caráter econômico, mas mesmo isso tem implicações políticas --o tratado do bloco prevê assistência em caso de um membro ser atacado. O tema será espinhoso.

SANÇÕES OCIDENTAIS

Após o encontro em Riad, o secretário de Estado, Marco Rubio, sugeriu que qualquer acordo irá incluir o fim das sanções ocidentais à Rússia --o fez de forma torta, dizendo que os europeus deveriam ser chamado em algum momento para a mesa porque também aplicaram penalidades a Moscou. Essa seria uma vitória maiúscula para Putin.

ENERGIA E LAÇOS ECONÔMICOS

Os dois lados falaram em abertura de possibilidades econômicas e regulação do mercado de energia, no qual são grandes atores, bem ao gosto do estilo empresarial de Trump. Aqui, chama a atenção o destaque dado à Arábia Saudita como palco do encontro e da possível cúpula Trump-Putin, dado que o país é, ao lado da Rússia, o principal membro da organização dos produtores de petróleo.

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ABERTURA DIPLOMÁTICA

A relação entre Washington e Moscou está no pior nível desde a Guerra Fria, e ambos os lados prometeram reativar o trabalho hoje reduzido de suas embaixadas. A criação de um grupo de trabalho conjunto sobre Ucrânia também azeita a relação. Um sinal de boa vontade foi a libertação, nesta terça, de um americano preso em Moscou no dia 7 por posse de maconha.

ARMAS NUCLEARES

Com a aproximação, um assunto óbvio é o controle global dos arsenais nucleares, 90% deles russos ou americanos. Em seu primeiro mandato, querendo trazer a China, terceira maior potência do setor, para o sistema, Trump deixou 2 dos 3 principais acordos que buscavam evitar o apocalipse. Putin completou o gelo suspendendo a participação russa no tratado remanescente, em 2023. Isso tudo tende a mudar.

IRÃ

Um dos negociadores russos, Kirill Dmitriev, sugeriu em Riad que a Rússia poderia ajudar os EUA em relação ao ameaçador programa nuclear do Irã. Enfraquecido devido às guerras de Israel na esteira do 7 de Outubro, o governo de Teerã tem acelerado a produção de material que pode vir a ser usado em bombas. Já Moscou assinou em janeiro um tratado com o aliado persa que estreitou a relação tecnológica e militar.

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