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Em meio a estragos eleitorais, imigração ilegal despenca na Europa

FolhaPress 16/10/2024 09:33

BERLIM, ALEMANHA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de apreensões relacionadas à imigração ilegal na União Europeia caiu 42% nos primeiros nove meses de 2024, divulgou nesta semana a Frontex, agência do bloco dedicada ao controle de fronteiras. O fenômeno ocorre no momento em que o assunto domina o debate eleitoral no continente, com o endurecimento de discursos e medidas de fiscalização.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Até setembro, 166 mil detenções foram realizadas em tentativas de travessias ilegais. As quedas mais acentuadas em relação ao mesmo período de 2023 ocorreram nas rotas pelos Balcãs e pelo Mediterrâneo Central, 79% e 64%. Em compensação, a rota terrestre pelo leste do continente e pela África Ocidental tiveram incremento de 192% e 100%, respectivamente. Lideram a lista de apreendidos cidadãos de Síria, Mali e Ucrânia.

No mesmo momento em que os números foram divulgados, Ursula von Der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, defendeu o modelo de "centro de detenção externo", como o adotado pela Itália em parceria com a Albânia, em carta endereçada a líderes europeus. Um encontro para discutir o assunto está marcado para quinta (17) e sexta-feira (18).

A imigração ilegal ao continente está em declínio há alguns anos, mas o tema domina o debate público e as disputas eleitorais em diversos países. Em setembro, a Alemanha, em um movimento radical, intensificou seu controle local de fronteiras e abriu uma crise no bloco. A coalizão formada pelo governo Olaf Scholz derrete nas pesquisas de intenção de voto, e a reação de evidente cunho conservador foi tomada como eleitoreira. A bandeira anti-imigração é um dos principais ativos do AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de extrema direita que saiu vitorioso em recente pleito regional.

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Agora é Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia, que renova o debate ao suspender o direito de asilo em seu país. No fim de semana, el já havia defendido a drástica decisão, apontando para a divisa com Belarus e uma onda de pedidos de refúgios. Sugerindo uma manobra de desestabilização orquestrada pelo país vizinho e pela Rússia, o premiê afirmou na segunda-feira (14) em rede social que era direito da Polônia defender suas fronteiras e as da Europa. "Segurança não se negocia."

O centro de detenção na Albânia foi aberto nesta semana. A previsão é que os primeiros detidos, apreendidos em fiscalização no fim de semana no Mediterrâneo, cheguem ao posto nesta quarta-feira (10 de Bangladesh e 6 do Egito). São três instalações próximas ao porto de Shëngjin com capacidade para abrigar até 3.000 homens. Mulheres, crianças e pessoas vulneráveis continuam sendo recebidas em Lampedusa, na Itália. Da Albânia, após averiguação da situação legal do apreendido, ocorre a deportação ou, eventualmente, o retorno ao território italiano se o pedido de refúgio for aceito.

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Grupos de direitos humanos criticam o acordo, que tem duração de cinco anos, e o consideram ilegal, mas é pouco provável que uma contestação judicial prospere. Pelo contrário, a primeira-ministra Giorgia Meloni já recebe afagos antes improváveis, como o do colega britânico Keir Starmer. O trabalhista repete o antecessor, o conservador Richi Sunak, que tentou um esquema semelhante com Ruanda e foi duramente criticado.

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