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Em disputa apertada, veto a partidos árabes pode levar Israel a novo impasse e outra eleição

Estadão Conteúdo 16/10/2026 14:52

Mansour Abbas, líder do partido árabe Raam, tem buscado se posicionar como um parceiro "aceitável" na política israelense: condenou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, evita centrar seus discursos na guerra em Gaza ou na ocupação da Cisjordânia e prioriza temas locais, como o combate ao crime em comunidades árabes. Em 2021, ele rompeu um tabu ao levar um partido árabe a integrar uma coalizão de governo em Israel, atuando como aliado disciplinado. Agora, o segundo nome de sua lista é um candidato judeu de perfil mais popular.

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Ainda assim, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seus principais rivais afirmaram que não formarão governo com Abbas nem com outros partidos liderados por árabes após a eleição de 27 de outubro de 2026 - mesmo que isso implique meses de paralisia e possivelmente uma nova rodada eleitoral.

A situação ilustra o momento vivido pela minoria árabe-palestina de Israel, que representa cerca de 20% da população: três anos após o 7 de outubro, seu espaço político e de expressão, segundo ativistas e grupos de direitos, tornou-se mais restrito. A fala pública é fortemente policiada, líderes foram rotulados como traidores e, em determinado momento, partidos chegaram a ser proibidos, embora uma decisão judicial tenha revertido a medida. Apesar disso, em uma disputa apertada, os partidos árabes podem ter um papel potencialmente decisivo na escolha do próximo primeiro-ministro, devido à lógica de coalizões do sistema parlamentar israelense.

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Yousef Jabareen, líder da Joint List (uma aliança de partidos árabes que adota linha menos conciliadora do que a de Abbas), descreveu a eleição como "existencial" e disse que a força eleitoral árabe deve ser usada para impedir uma deterioração ainda maior da situação. Ele participou de um pequeno evento de campanha em Tel-Aviv e deixou o local discretamente para evitar um grupo de manifestantes de extrema-direita.

Palestinos que permaneceram dentro das fronteiras de Israel após a guerra de 1948 e seus descendentes têm cidadania e direito a voto, mas laços familiares e solidariedade com palestinos de Gaza e da Cisjordânia alimentam desconfiança de parte da população judaica. Além de discriminação, essas comunidades enfrentam altas taxas de criminalidade. Ativistas árabes atribuem o problema à negligência policial, que, por sua vez, aponta falta de cooperação de lideranças comunitárias.

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A taxa de homicídios entre cidadãos palestinos de Israel é mais de 22 vezes maior do que entre judeus israelenses, enquanto taxas de prisão e de denúncia formal são muito menores. A organização Abraham Initiatives, que defende igualdade de direitos, contabilizou 184 mortes ligadas a crime em comunidades árabes em 2026 até aqui e afirmou em julho que apenas 12% dos casos reportados no primeiro semestre haviam sido solucionados. Paralelamente, ativistas dizem que autoridades restringiram de forma agressiva a liberdade de expressão, dissolvendo protestos contra a guerra, limitando exibição de bandeiras palestinas e prendendo centenas de pessoas por publicações em redes sociais, conforme a ONG israelense Adalah.

O governo israelense, por outro lado, sustenta que Israel é um Estado judeu no qual minorias têm direitos iguais e que parte das restrições a manifestações e falas decorre de preocupações de segurança.

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Complicações eleitorais

Do ponto de vista eleitoral, como nenhum partido deve se aproximar de 61 das 120 cadeiras do Knesset, formar maioria no parlamento exige coalizões, o que pode dar a partidos pequenos como os árabes um peso desproporcional. Na prática, porém, Netanyahu se recusa a trabalhar com eles e os próprios partidos árabes também descartam integrar um governo liderado por ele. O principal adversário de Netanyahu, o centrista e general da reserva Gadi Eisenkot, também diz que não fará aliança com partidos árabes.

E mesmo Yair Lapid, que liderou um governo de centro-esquerda em 2021, afirmou à AP em maio que não pretende formar outra coalizão com o Raam. Diante dessas recusas, restariam opções como mudanças de posição, um governo minoritário apoiado "por fora" por partidos árabes, ou - se a aritmética parlamentar travar - a possibilidade de nova eleição, mantendo o governo atual como interino. Fonte: Associated Press.

Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

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