Eleitores não votam para professor de coach, diz Nunes sobre Marçal

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pré-candidato à reeleição, disse nesta quinta-feira (30) que conhece melhor a cidade do que seus adversários e que os eleitores não votarão para professor de coach —afirmação irônica em referência ao coach e empresário Pablo Marçal, que surpreendeu com sua pré-candidatura e pontuou 7% na pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (29).

“Alguns que têm uma habilidade maior de comunicação, de coach, a praia dele, vão ter certa visibilidade. Mas quando entrar no assunto da cidade, eu desafio qualquer um deles que conheça mais do que eu”, disse Nunes em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (30), após participação na Marcha para Jesus. “As pessoas não estão votando em professor de coach. Vão votar em quem vai cuidar da cidade.”

Com José Luiz Datena (PSDB) e o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) incluídos na pesquisa, Nunes e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) seguem tecnicamente empatados na liderança, com 23% e 24% das intenções de voto, respectivamente.

Questionado se a pré-candidatura de Marçal ameaça o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à sua reeleição, Nunes respondeu: “De jeito nenhum”. O prefeito afirmou que não haveria motivo para o desembarque de Bolsonaro e que não há sinalização sobre isso.

Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, líderes do PL e do União Brasil chegaram a discutir lançar outro candidato e abandonar Nunes, a quem atribuem soberba, “salto alto” e “espírito de já ganhou”.

Nesta quinta-feira, Nunes disse que notícias sobre o assunto foram plantadas na imprensa, mas que a relação com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e com Bolsonaro está tranquila. Ele afirmou que pessoas que orbitam a sigla podem ter algum descontentamento, mas que elas não têm autoridade para falar pelo partido. “Posso te garantir que todas as lideranças que falam pelo PL não dizem isso”, respondeu Nunes a questionamento da Folha de S.Paulo.

Bolsonaro chegou a sinalizar apoio à pré-candidatura de Ricardo Salles (PL), ex-ministro do Meio Ambiente de sua gestão, mas ele não conseguiu sustentação no partido para se viabilizar. O PL também não permitiu que ele deixasse a legenda para se candidatar por outra sigla e manter o mandato na Câmara dos Deputados.

Algumas semanas depois da sinalização, porém, Bolsonaro, Costa Neto e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já defendia o apoio a Nunes, pactuaram a aliança com o prefeito.

Segundo o entorno do ex-presidente, inelegível e na mira da Polícia Federal, ele não teve força naquele momento para bancar a pré-candidatura de Salles. Para isso, Bolsonaro precisaria ir contra o governador e a direção da sigla, que avaliaram que um candidato moderado teria mais chance de derrotar Boulos na cidade, onde o presidente Lula (PT) obteve 53% dos votos no segundo turno de 2022.

O anúncio do apoio ao prefeito foi feito por Valdemar, com a expectativa de participar da indicação do vice. A pré-candidatura de Nunes, no entanto, vem protelando essa escolha. Questionado nesta quinta se esse seria o momento de acertar a nomeação da vice, o prefeito tergiversou.

Nunes também afirmou que ficou feliz com o resultado da pesquisa, que, segundo ele, serviu como lição para os adversários que não o levavam a sério.

“Há alguns meses as pessoas ficavam de certa forma tirando sarro de mim, [dizendo] que eu era um desconhecido”, disse o prefeito. “Fica o recado para o Boulos, para a Tabata [Amaral, pré-candidata], que gostavam de fazer brincadeirinhas. Tem muito tempo pela frente, mas o cenário hoje demonstra para os outros pré-candidatos: tenham humildade. Vistam a sandália da humildade.”

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