segunda-feira, 15 agosto, 2022
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Com cautela global, Ibovespa renova mínima de encerramento do ano pelo 2º dia

O Ibovespa renovou pelo segundo dia seguido a mínima de fechamento do ano, permanecendo assim nos menores níveis desde o começo de novembro de 2020. Nesta quinta-feira, 14, a fraca leitura do IBC-Br em maio – em retração de 0,11%, após recuo de 0,64% em abril – combinou-se desde cedo à forte leitura sobre a inflação no atacado dos Estados Unidos em junho – em alta de 1,1%, ante expectativa a 0,8%. O conjunto de dados do dia, aqui e fora, firma dois temores: inflação em alta e desaceleração econômica global, que tende a se transformar em recessão com o avanço dos juros.

O decepcionante início de temporada de balanços trimestrais, com resultados de bancos como JPMorgan e Morgan Stanley, contribuiu para a cautela em Nova York. Aqui, a referência da B3 fechou o dia em queda de 1,80%, aos 96.120,85 pontos, entre mínima de 95.430,74 e máxima de 97.878,55, equivalente à abertura. Voltando a moderar após o vencimento de opções sobre o Ibovespa no dia anterior, o giro financeiro caiu hoje para R$ 24,5 bilhões. Na semana, o índice acumula queda de 4,16%, colocando as perdas do mês a 2,46% – no ano, cede agora 8,30%. O nível de fechamento do Ibovespa, hoje, foi o menor desde 3 de novembro de 2020 (95.979,71).

O desempenho da B3 nesta quinta-feira foi condicionado, em especial, pelo prosseguimento da correção nos preços de commodities, como petróleo e minério de ferro. Em Qingdao, China, a tonelada do minério fechou em queda de quase 8%, perto de perder a linha de três dígitos, aos US$ 100,29, menor nível desde novembro passado. O petróleo, por sua vez, permaneceu pelo terceiro dia abaixo do limiar de US$ 100 por barril, tanto no Brent como no WTI. Nesta quinta, Vale ON ocupou a ponta negativa do Ibovespa (-6,66%), um pouco à frente de ações como Bradespar (-5,44%) e CSN (-6,40%). Petrobras ON e PN cederam, respectivamente, 3,19% e 2,69%.

No lado oposto do Ibovespa, destaque para Cielo (+6,44%), Magazine Luiza (+2,83%) e Raia Drogasil (+3,67%), além de BB Seguridade (+4,31%). Assim como para o setor de commodities, o dia foi negativo para as ações de grandes bancos, com Bradesco (ON -2,22%, PN -2,27%) à frente. Enquanto a perda no índice de materiais básicos ficou hoje em 4,11%, o índice de consumo teve ajuste bem mais discreto (-0,05%).

“Há uma rotação natural do mercado, levando em conta que as empresas do varejo haviam caído muito, com algumas ações do setor tendo acumulado até 90% de queda no acumulado de um ano. O Auxílio Brasil injeta dinheiro direto nas famílias, no curto prazo. Há também algum alívio nos custos de energia, o que libera uma parcela disponível maior, entre as famílias endividadas e as de menor renda”, diz Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.

“Houve corte forte de impostos, especialmente em combustíveis. A expectativa é que para julho e agosto tenhamos deflação, com os primeiros dados de IPCA negativo desde março de 2020, no auge da pandemia. E há a PEC (dos Benefícios), que vai irrigar a economia com mais capital”, diz Paulo Duarte, economista da Valor Investimentos. “Há um efeito benéfico, de curto prazo, mas traz também uma ressaca, com piora dos dados para o ano que vem”, acrescenta o economista, destacando o lado fiscal, “pior do que o que se tem hoje, com contas públicas mais complicadas” para o governo, atual ou futuro, a partir de 1º de janeiro.

No exterior, além das preocupações em torno da economia americana e dos efeitos dos esforços do Federal Reserve para conter a inflação, a China segue no radar. “Nesta quinta-feira, autoridades chinesas participaram de reuniões emergenciais com bancos, encontros que tiveram como pauta principal o boicote ao pagamento de hipotecas pelos chineses, frente à expectativa de que seus imóveis não sejam entregues. Na parte da noite, dados do PIB do segundo trimestre prometem ilustrar a recente piora de expectativas com o crescimento”, observa em nota a Guide Investimentos. No primeiro trimestre, a economia chinesa cresceu 4,8%, abaixo da meta do governo para o ano, de 5,5%.

Luís Eduardo Leal
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