quinta-feira, 11 agosto, 2022
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Bolsas da Europa fecham em baixa focando Fed, projeções da UE e crise na Itália

As bolsas europeias terminaram o pregão em forte baixa nesta quinta-feira, 14, à medida que o mercado segue apreensivo com o aperto monetário agressivo do Federal Reserve (Fed) nos EUA, após leituras de inflação mais altas que o esperado no país. No cenário local, a Comissão Europeia revisou em baixa suas projeções de crescimento econômico da zona do euro, enquanto as de inflação aumentaram. A queda foi mais pronunciada na bolsa de Milão, em meio à crise política que ameaça o governo do primeiro-ministro Mario Draghi.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 1,53%, aos 406,50 pontos. Em Londres, o FTSE 100 teve queda de 1,63%, aos 7.039,81 pontos, o DAX recuou 1,86% em Frankfurt, a 12.519,66 pontos, o parisiense CAC 40 cedeu 1,41%, a 5.915,41 pontos. Nas praças ibéricas, o IBEX 35, da bolsa de Madri, fechou em baixa de 1,77%, aos 7.804,30 pontos, e o lisboeta PSI 20 caiu 1,90%, aos 5.751,90 pontos.

A alta maior que o esperado do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA em junho reforçou a mensagem passada pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado ontem, de que o Fed seguirá em sua trajetória de aumento forte dos juros, com boa parte do mercado já cogitando uma alta de um ponto porcentual na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) no fim deste mês.

Membro votante do grupo, o dirigente Christopher Waller não descartou este ritmo de elevação da taxa dos Fed funds, caso os próximos dados de atividade apontem para uma demanda interna ainda muito aquecida. Ele, porém, ressaltou que seu cenário-base ainda é de um novo aumento de 75 pontos-base, mesmo após o CPI forte.

No cenário interno, investidores viram a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), aumentar sua projeção para o CPI da zona do euro em 2022, para alta anual de 7,6%, e 2023, para avanço de 4%. Em maio, as previsões para o CPI eram de 6,1% e 2,7%, respectivamente. No caso do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco, a expectativa de alta para este ano foi cortada de 2,7% para 2,6% e para o próximo, de 2,3% a 1,4%.

Pressionada por uma crise política na Itália, a bolsa de Milão teve queda maior que suas pares hoje, e o índice FTSE MIB perdeu 3,44%, a 20.554,33 pontos. Por lá, o Movimento 5 Estrelas bloqueou a votação de um pacote fiscal, em boicote ao primeiro-ministro Mario Draghi. Hoje, Draghi sobreviveu ao voto de confiança do Parlamento italiano.

Para a Capital Economics, se a recente crise política antecipar a realização de novas eleições, é provável que os spreads dos juros soberanos do país se estendem, o que dificultaria os planos do Banco Central Europeu (BCE) de evitar um descolamento dos bônus da dívida na zona do euro. Ao mesmo tempo, a crise pode dar força aos opositores italianos do “Mecanismo de Proteção de Transmissão” desenhado pela entidade.

Gabriel Caldeira
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