Decisão do Banco Central de manter os juros divide opiniões, impactos da Selic a 10,50% e o que importa no mercado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Decisão do Banco Central de manter os juros divide opiniões, os impactos da Selic a 10,50% no seu dinheiro e outros destaques do mercado nesta quinta-feira (20).

**O DIA SEGUINTE**

A decisão do Banco Central de interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros e mantê-la em 10,5% por unanimidade foi vista por economistas ouvidos pela Folha de S.Paulo como algo positivo. Além disso, a decisão também teria sido técnica.

Parte deles, porém, avalia que ainda havia margem para novos cortes de juros.

CRÍTICAS

Integrantes do PT, partido do presidente da República, criticaram o Banco Central e falaram em “sabotagem”. O presidente do Sebrae, Décio Lima, também atacou o Banco Central pela manutenção da taxa. O dia de hoje deve ser de mais repercussões em Brasília.

POR QUE IMPORTA

A Selic serve de referência para outras taxas de juros do mercado.

O movimento era esperado devido à piora no cenário econômico. Na última reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) já havia sinalizado cautela e fez um corte menor que os anteriores.

Com a manutenção, o colegiado ignora a pressão feita pelo governo e pelo próprio Lula na véspera.

CONSENSO

A decisão desta quarta-feira (19) foi defendida por todos os nove membros, incluindo Gabriel Galípolo e mais três indicados por Lula. O placar era monitorado, pois, na última decisão, houve divergência. Saiba aqui como funciona o Copom.

Gabriel Galípolo é cotado para assumir o comando da instituição no fim do ano e foi cobrado pelo líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, para votar pelo corte de juros.

OS MOTIVOS

O Copom justificou a decisão dizendo que “o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas [em relação à meta] demandam maior cautela”.

O comitê afirmou que se manterá “vigilante” e que eventuais ajustes futuros serão ditados pelo “firme compromisso de convergência da inflação à meta”. O mercado espera que a pausa dure até o fim do ano.

TURBULÊNCIAS

Nas últimas semanas, um conjunto de fatores deixaram o cenário para a economia brasileira pior: os Estados Unidos não devem cortar os juros tão cedo, a expectativa de inflação subiu e o governo segue sem projetos para cortar gastos.

O resultado? Dólar e contratos de juros futuros em alta.

LULA VS CAMPOS NETO

A decisão de hoje era aguardada com ansiedade, já que as últimas críticas de Lula sobre o comando do BC vieram na véspera. O petista disse que seria “triste” se o Copom mantivesse os juros e que Campos Neto trabalha contra o país.

Sobrou para o Tarcísio. O gatilho para as novas críticas foi a série de encontros entre Campos Neto e figuras ligadas ao bolsonarismo, como o governador de São Paulo,Tarcísio de Freitas, que ofereceu um jantar ao presidente do Banco Central.

**COMO FICAM OS INVESTIMENTOS**

A manutenção da Selic em 10,5% reforça a atratividade dos investimentos em renda fixa, principalmente os isentos de Imposto de Renda.

Nesta categoria, estão algumas debêntures, a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e a LCI (Letra de Crédito Imobiliário).

Esses investimentos são formas de emprestar dinheiro para empresas.

A repórter Júlia Moura, da Folha de S.Paulo, mostra como ficam esses produtos e outros mais conhecidos, como a poupança, os CDBs e os títulos do Tesouro.

No seu bolso. A taxa Selic funciona como “piso” para outras taxas de juros porque define o que seria uma espécie de valor justo do crédito no país. Ela impacta os financiamentos e empréstimos, mas também os retornos de muitos investimentos.

O título do governo Tesouro Selic, por exemplo, rende sempre o valor da taxa. Se ela cair ou subir, o rendimento acompanha.

Investimentos baseados no CDI (Certificado de Depósito Interbancário) também seguem ela de perto. Uma debênture ou CDB pode pagar 105% do CDI, por exemplo.

NA ECONOMIA

A taxa básica de juros é uma das principais ferramentas para controlar a inflação, porque ela pode estimular ou esfriar a economia.

Quando a taxa cai, como aconteceu até abril, a economia é estimulada com incentivo ao consumo e crédito mais barato.

CAUTELA

Como uma taxa mais baixa estimula o consumo e a expansão econômica, o movimento só costuma acontecer quando o Banco Central tem segurança de que não há risco de inflação. Na decisão de ontem, a instituição alertou para os riscos.

PARA APROFUNDER

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ex-ministro Bresser-Pereira diz que os juros altos são uma herança negativa do Plano Real.

O engenheiro e economista Winston Fritsch, justamente um dos pais do real, afirma que o juro tradicionalmente alto não é consequência apenas de problemas fiscais.

**CHAMBRIAND EM DEFESA DO PETRÓLEO**

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fez uma forte defesa de novas explorações de petróleo em sua cerimônia de posse nesta quarta-feira (19), apesar dos apelos internacionais pela redução no consumo de combustíveis fósseis.

O evento teve a presença do presidente Lula e ministros no Rio de Janeiro.

Para Chambriard, a exploração de petróleo é necessária para que seja possível “bancar a conta” da transição energética. A executiva, porém, citou os projetos da empresa em energias renováveis e redução de emissões.

A perfuração de poços na região da Foz do Amazonas é uma das bandeiras da nova presidente, já que a região do pré-sal vai gerar menos petróleo a partir de 2030. Hoje, o Brasil está entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo.

ENTENDA

A Petrobras trava um embate com a área ambiental do governo para explorar a área. Em 2023, o primeiro pedido foi negado pelo Ibama.

No evento de posse, a defesa da exploração de petróleo recebeu novamente apoio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Lula, porém, não tocou no tema.

A GESTÃO

Magda tomou posse de fato em maio para substituir Jean Paul Prates, demitido por Lula após longo processo de fritura patrocinado por Silveira e pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Ela recebeu a missão de acelerar obras para que o presidente consiga mostrar resultados a tempo da campanha eleitoral de 2026.

Como prioridade, estão encomendas à indústria naval brasileira, aportes em fertilizantes e a viabilização de um polo gás-químico em Uberaba (MG). Leia mais.

DIVIDENDOS

A Petrobras paga nesta quinta-feira a segunda parcela dos proventos referentes ao resultado de 2023. O valor será de R$ 1,46 por ação.

Desse valor, R$ 0,57 se referem ao previsto na política de remuneração. Outros R$ 0,89 são extraordinários, aprovados depois da crise que culminou na saída de Jean Paul Prates.

Na posse de Magda, os dividendos foram assunto.

“Ninguém quer que nenhum acionista tenha um centavo de prejuízo. Se investiu, tem direito a ter seu retorno do investimento. Ninguém quer que a Petrobras seja uma empresa deficitária, que ela perca dinheiro”, afirmou o presidente Lula.

**FERRARI ELÉTRICA**

O primeiro carro elétrico da Ferrari custará pelo menos 500 mil euros (R$ 2,9 milhões) e será lançado até o final de 2025. A decisão vem depois das concorrentes de luxo e a produção será pequena para manter a exclusividade tradicional da marca.

CARO?

O preço, revelado pela agência Reuters, está bem acima do valor médio da Ferrari e de outros elétricos topo de linha, que custam por volta de 350 mil euros (R$ 1,9 milhões).

Os 500 mil euros não incluem funções extras, nem toques pessoais, que acrescentam ao menos 15% no valor.

CORRENDO ATRÁS

As montadoras tradicionais ficam para trás da Tesla e da BYD no segmento elétrico. Veja em números:

↳ A BYD lidera, com 22% de share, seguida pela Tesla, com 13%. Juntas, somam 35%.

↳ As tradicionais BMW, Ford, GM, Honda, Hyundai, Kia, Mercedes-Benz, Nissan, Renault, Stellantis, Toyota e Volkswagen somam juntas apenas 30% do mercado de elétricos.

PORÉM…

No segmento de elétricos de luxo, as tradicionais têm força. Entre esses modelos, a BMW fica em segundo lugar no ranking de vendas. Em seguida, vem a Mercedes.

A Ferrari entra tímida nesse mercado. A expectativa é de uma produção de 6 mil unidades ao ano. A Tesla, por exemplo, produziu 1,8 milhão em 2023. A BMW, 376 mil.

O novo carro elevaria sua produção total para 20 mil unidades. Hoje, as listas de espera para alguns modelos podem chegar a dois anos. A exclusividade é vista como uma das forças da marca.

O CEO Benedetto Vigna afirma que a decisão precisou de um equilíbrio delicado. A estratégia para agradar novos consumidores não poderia incomodar os antigos.

CRESCIMENTO

Dentro do segmento luxo, os elétricos devem pular de 6% em 2021 para 46% em 2031, segundo a consultoria Oliver Wyman.

↳ Em entrevista à Folha de S.Paulo, o CEO da Mercedes-Bens no Brasil concorda. Para ele, o futuro do segmento de luxo é necessariamente elétrico.

Quanto ao segmento elétrico em geral, a perspectiva é de que 20% dos 17 milhões de carros vendidos sejam elétricos ou híbridos. Essa fatia deve chegar a 100% em 2035, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

CHUVAS NO SUL

Sinistros no RS somam R$ 3,9 bilhões, diz setor de seguros. Segundo CNseg, enchentes no estado geraram mais de 48 mil pedidos de indenizações.

ITAÚ

Brasil cresce um pouco mais do que imaginávamos, diz Moreira Salles. Copresidente do Itaú Unibanco afirma que atividade acima do projetado impulsiona crescimento do banco.

DESONERAÇÃO DA FOLHA

Líder do governo admite impacto menor para desoneração da folha e fala em R$ 17 bilhões. Equipe de Haddad calculou um valor mais alto, de R$ 26,3 bilhões, para perda de arrecadação com redução de impostos.

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