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Dólar tem nova disparada e cruza barreira dos R$ 6 com guerra de tarifas; Bolsa cai

FolhaPress 09/04/2025 11:37

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em nova disparada nesta quarta-feira (9), após a China anunciar tarifas de mais 84% sobre importações dos Estados Unidos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A medida é uma resposta às taxas de até 104% sobre produtos chineses, determinadas pelo presidente Donald Trump na véspera e que entraram em vigor nesta madrugada.

Às 10h15, a moeda avançava 1,08%, cotada a R$ 6,061. Já a Bolsa caía 0,75%, a 122.990 pontos.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China escalou mais uma vez.

Além das taxas retaliatórias de 84% anunciadas nesta manhã, Pequim impôs restrições a 18 empresas norte-americanas, principalmente em setores relacionados à defesa. Elas se somam às outras 60 que já foram punidas por causa do tarifaço de Trump. O banco central da China também pediu aos principais bancos estatais que reduzam as compras de dólares.

"A escalada de tarifas dos EUA sobre a China é um erro em cima de um erro, que infringe seriamente os direitos e interesses legítimos da China e prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras", disse o Ministério das Finanças da China em um comunicado.

Pequim já havia expressado preocupação sobre a escalada antes do anúncio, em comunicado enviado mais cedo à OMC (Organização Mundial do Comércio). "A situação se agravou perigosamente. Como um dos membros afetados, a China expressa séria preocupação e firme oposição a esse movimento imprudente", disse à entidade.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou a reação do país asiático como lamentável.

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"Acho lamentável que os chineses realmente não queiram vir e negociar, porque eles são os piores infratores no sistema de comércio internacional", disse em entrevista ao canal Fox Business Network.

As duas maiores economias do mundo têm trocado ameaças desde quarta-feira passada, quando o tarifaço foi anunciado. A China foi atingida inicialmente com uma sobretaxa de 34%, além do piso básico de 10% sobre todos os produtos importados pelos Estados Unidos e das demais barreiras comerciais erguidas por Trump nos últimos três meses.

Os chineses anunciaram tarifas retaliatórias na mesma magnitude, ainda na semana passada. Trump, na sequência, ameaçou subir a régua para 50% caso a retaliação não fosse suspensa. "Foi um grande erro", disse Bessent, ao que a China prometeu "lutar até o fim".

É pouco provável que a China recue, afirmam analistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. "A decisão do governo chinês em retaliar o governo norte-americano imediatamente e na mesma moeda mostra que a China está preparada para o conflito, independentemente do custo econômico no curto prazo", afirma André Valério, economista sênior do Inter.

"A tarifa de 104% efetivamente exclui a China do mercado americano. Esperamos que o governo chinês faça uma nova retaliação, mantendo essa dinâmica de 'toma lá, dá cá' até que as pressões econômicas forcem algum tipo de acordo entre os países", diz Valério.

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Por outro lado, Trump e autoridades próximas ao governo têm dado sinais de que uma rodada de negociações com outros países afetados está à mesa.

O Japão é exemplo disso. Trump e o primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, concordaram em iniciar discussões bilaterais sobre as tarifas em um telefonema na segunda-feira. Os japoneses foram atingidos com uma sobretaxa de 24%, além do piso básico de 10%.

Trump designou Bessent e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, para supervisionar as negociações com o Japão. Já a nação asiática terá o ministro da economia, Ryosei Akazawa, como negociador comercial.

Segundo o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, os negociadores dos EUA estão priorizando aliados e parceiros comerciais que tiveram grandes superávits comeciais para com os norte-americanos —o que não inclui a China.

"O presidente decidirá quando e se conversará com a China, mas, no momento, recebemos instruções para priorizar nossos aliados e nossos parceiros comerciais, como o Japão, a Coreia e outros", disse Hassett em entrevista à Fox News.

Também nas redes sociais, Trump disse que está discutindo as tarifas sobre a Coreia do Sul com o presidente interino, Han Duck-soo. O país foi atingido com tarifas de 26%.

"Temos os limites e a probabilidade de um grande ACORDO para ambos os países. A principal EQUIPE deles está em um avião rumo aos EUA, e as coisas parecem boas", escreveu.

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Já a União Europeia segue firme nas tratativas para evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos, ainda que o governo republicano tenha rejeitado a oferta "zero por zero" sobre todos os produtos industriais. Segundo um porta-voz da Comissão Europeia, o plano é apresentar uma resposta às tarifas na próxima semana.

"No início da próxima semana, basicamente apresentaremos nosso plano. Explicaremos qual é o roteiro, depois consultaremos os Estados membros, consultaremos as indústrias, antes de apresentarmos as medidas finais que apresentaremos aos Estados membros para votação", disse o porta-voz Olof Gill.

É esperado que o comércio internacional sofra um baque com as tarifas, o que pode afetar o crescimento econômico dos países mais afetados. Segundo análises do banco JPMorgan, o tarifaço elevou os riscos de uma recessão global e dos Estados Unidos de 40% para 60% em apenas uma semana.

No caso dos norte-americanos, o choque tarifário também afeta a cadeia produtiva doméstica, o que pode aumentar a inflação enquanto a economia desacelera.

O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), Jerome Powell, endereçou esses temores em falas na sexta. Ele afirmou que as novas tarifas são "maiores do que o esperado" e as consequências econômicas, incluindo inflação mais alta e crescimento mais lento, provavelmente também serão.

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