Dólar e Bolsa fecham estáveis com IPCA e Powell em foco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apesar de ter começado o dia em queda firme e ter chegado a R$ 5,37 na mínima do dia, o dólar desacelerou a baixa e fechou estável a R$ 5,413 nesta quarta-feira (10), conforme investidores digeriam novos dados de inflação no Brasil e repercutiam falas do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell.

Na Bolsa, houve um movimento parecido: o Ibovespa iniciou a sessão em alta, mas desacelerou e passou a oscilar próximo da estabilidade, fechando com variação positiva de 0,08%, aos 127.218 pontos.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,21% em junho, após marcar 0,46% em maio. O novo resultado veio abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro. Segundo pesquisa da agência Reuters, a projeção era de taxa de 0,32% em junho.

Em 12 meses, porém, o IPCA ganhou força e passou a acumular inflação de 4,23%, conforme o IBGE. Nesse recorte, a alta dos preços era de 3,93% até maio.

Nos Estados Unidos, Jerome Powell afirmou que não estava pronto para concluir que a inflação está caindo de forma sustentável para a meta de 2% do Fed, embora tenha “alguma confiança nisso”.

Ele disse, ainda, que a política monetária está restringindo a economia, mas não está fazendo isso de forma agressiva.

“Parece que a política está sendo restritiva, mas não extremamente restritiva. Isso sugere que a taxa neutra de juros, pelo menos a partir de agora, terá aumentado um pouco, o que significa que as taxas serão um pouco mais altas” do que poderiam ter sido no passado, disse Powell a um painel do Congresso americano.

Nesta sessão, ocorreu um movimento de correção após o pregão de terça (9), quando o dólar teve queda de mais de 1% e a Bolsa recuperou os 127 mil pontos num dia de liquidez reduzida por conta do feriado da Revolução Constitucionalista em São Paulo. Após fortes movimentos, são comuns pregões de ajustes.

Além disso, após as oscilações bruscas relacionadas às incertezas fiscais no mês passado, que levaram o dólar à cotação de R$ 5,66 e o Ibovespa aos 119 mil pontos, há a avaliação de que o mercado está voltando a um nível equilibrado.

“O mercado realmente deu uma acalmada grande, e o preço das ações refletiu bem isso. Da mesma forma que a gente teve um movimento muito brusco de queda, de aversão ao risco, de alta do dólar, de alta dos juros, a gente teve uma volta dos preços praticamente na mesma proporção. Segue essa toada no dia de hoje, operando praticamente na estabilidade”, diz Felipe Moura, analista da Finacap.

Os números de preços no Brasil têm se tornado cada vez mais observados pelos membros do Banco Central, à medida que cresce a desancoragem das expectativas de inflação para este ano e o próximo. O resultado para o mês passado pode reduzir os temores do mercado em relação à inflação no Brasil.

“Os dados de inflação foram benignos e com a recente valorização da taxa de câmbio, as expectativas de inflação podem se estabilizar nas próximas semanas, contribuindo para reduzir a probabilidade de novas altas na taxa de juros no futuro. Porém, elas ainda seguem acima da meta e são de grande preocupação para o BC. Esse cenário se soma as dúvidas em relação à política fiscal brasileira e as incertezas no cenário externo”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Com os números positivos, o IPCA divulgado nesta quarta deu fôlego ao mercado no início do dia, mas houve desaceleração ao longo da sessão.

No mês passado, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu interromper seu ciclo de afrouxamento monetário após sete cortes consecutivos na taxa Selic, agora em 10,50% ao ano.

Economistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus elevaram novamente na segunda-feira (8) sua expectativa para o IPCA ao final de 2024 e 2025. Neste ano, os analistas veem os preços fechando em 4,02%, ante 4,0% na semana anterior.

Em 2025, o IPCA agora é visto encerrando o ano em 3,88%, de 3,87% na semana passada.

O BC trabalha com a meta de uma inflação acumulada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, como principal norteador para a definição da taxa básica de juros do país, a Selic.

“Além de ter sido uma composição [do IPCA] bastante boa, traz notícias boas para o ano. A gente deve continuar com essa inflação e o Focus transitando entre 4%, 4,10%, abaixo da banda superior da meta, diferente do que era esperado ali no começo da semana, com o reajuste da Petrobras. Traz um certo alívio para o banco central com relação às expectativas desse ano”, Laiz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas.

O banco, no entanto, mantém sua projeção de que a Selic deve continuar no patamar de 10,50% até o fim do ano.

Agora, investidores aguardam novos números de inflação nos Estados Unidos, a serem divulgados na quinta (11).

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