Dólar atinge R$ 5,44 antes de nova decisão sobre juros no Brasil; Bolsa sobe

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar registrou mais uma sessão de alta e atingiu a marca de R$ 5,441 nesta segunda-feira (19), numa valorização de 0,15%, enquanto o mercado aguarda a divulgação da decisão sobre juros do Copom (Comitê de Política Monetária), do BC (Banco Central), que deve anunciar no início da noite a nova Selic (taxa básica de juros). Na máxima do dia, a moeda americana atingiu os R$ 5,482.

O movimento do câmbio também foi potencializado pela liquidez reduzida da sessão em razão de um feriado nos Estados Unidos, que reduziu o volume financeiro global.

Já a Bolsa até começou a sessão em queda e chegou a perder os 119 mil pontos na mínima do dia, mas engatou alta no meio da tarde e garantiu um dia positivo, com apoio principalmente do setor financeiro. O Ibovespa encerrou o dia com avanço de 0,52%, aos 120.261 pontos.

A previsão do mercado é que os diretores mantenham a taxa no atual nível de 10,50% ao ano, encerrando o ciclo de cortes de juros iniciado em agosto. Além disso, analistas também esperam que a decisão seja unânime, evitando a forte divisão observada na última reunião.

Na ocasião, os quatro diretores indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votaram a favor de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic. Prevaleceu, no entanto, a decisão das outras cinco autoridades, que votaram por uma redução menor, de 0,25 ponto.

Na terça (18), o presidente Lula fez críticas a Roberto Campos Neto, chefe do BC, aumentando ainda mais a tensão e elevando a expectativa sobre o placar desta quarta.

Em entrevista à rádio CBN, Lula afirmou que Campos Neto tem lado político e trabalha para prejudicar o país. O chefe do Executivo também criticou a taxa de juros.

“O presidente do Banco Central, que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar o país do que para ajudar o país”, afirmou.

A manutenção da Selic no patamar atual encerraria uma sequência de sete cortes consecutivos nos juros.

Uma Selic mais alta torna o real mais atraente para uso em estratégias de “carry trade”, em que investidores tomam empréstimos em países com taxas baixas e aplicam os recursos em mercados mais rentáveis, de forma a lucrar com o diferencial de juros.

Mas a divisa norte-americana tem acumulado ganhos contínuos nas sessões recentes por conta das dúvidas dos investidores em relação ao compromisso do governo com as contas públicas.

“A gente vê um viés cada vez mais forte de corte de juros lá fora. Porém, a gente não vem fazendo nosso trabalho de casa. O governo vem gastando mais do que pode”, disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.

A avaliação é a mesma de Gabriel Meira, sócio da Valor Investimentos, que afirma o risco fiscal deve continuar a afugentar investidores. Só neste mês, até o dia 17 de junho (último dado disponível), os estrangeiros retiraram R$ 6,82 bilhões da Bolsa brasileira.

“Além da aversão ao risco global, com a perspectiva de taxa de juros mais alta nos Estados Unidos, há muita preocupação com a situação fiscal do Brasil. O governo que tem aumentado o gasto e não consegue fazer o aumento da receita, principalmente porque não tem de onde fazer. Isso é menos receita no bolso do governo. Tdo isso tem causado essa aversão e essa desvalorização [do real]”, diz Meira.

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