Dólar acelera e volta aos R$ 5,27 após dados fortes de emprego nos EUA; Bolsa cai

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após uma sessão de alívio na véspera, o dólar voltou a operar em alta nesta sexta-feira (7), acelerando após a divulgação de dados de emprego mais fortes que o esperado nos Estados Unidos.

O relatório de emprego americano, conhecido como “payroll”, mostrou que foram criadas 272 mil novas vagas de trabalho nos EUA em maio, bastante acima das expectativas de 180 mil postos de economistas consultados pela Bloomberg. A taxa de desemprego, por outro lado, subiu levemente, de 3,9% para 4%.

Os novos dados vêm na contramão de números secundários divulgados nesta semana que mostraram desaceleração da economia americana, dando otimismo momentâneo a investidores.

Com o payroll desta sexta, a tendência é de um dia negativo para os mercados globais, já que o relatório mostra que o mercado de trabalho dos EUA segue aquecido e pode influenciar na decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de manter os juros mais altos por mais tempo no país.

O relatório também estressou as curvas de juros no Brasil, que engataram alta após a divulgação. Nesse cenário, a Bolsa brasileira abriu em baixa e caminhava para fechar uma semana de perdas.

Às 12h02, o dólar subia 0,54%, cotado a R$ 5,278, enquanto o Ibovespa caía 0,77%, aos 121.946 pontos.

Embora o mercado de trabalho americano tenha desacelerado nos últimos meses, o seu ritmo de crescimento ainda sólido permitiu ao Fed adiar um possível corte nas taxas do país.

Na próxima semana, diretores do banco reúnem-se para uma nova decisão sobre juros, e a expectativa é que as autoridades mantenham as taxas inalteradas na faixa entre 5,25% e 5,50%.

Apesar do número forte desta sexta, existem alguns outros sinais de que o mercado de trabalho está começando a relaxar de forma mais constante.

A produção econômica dos EUA no primeiro trimestre cresceu à taxa mais lenta em quase dois anos, e os dados deste trimestre, no geral, têm sido mais fracos do que o esperado.

Dados secundário do início desta semana, por exemplo, mostraram que as vagas de emprego diminuíram em abril e o número de empregos disponíveis por candidato atingiu o nível mais baixo desde junho de 2021.

Os números haviam levado certo otimismo ao mercado. Na quinta (6), apesar de ter começado o dia em leve alta, chegando a ultrapassar os R$ 5,30 na máxima da sessão, o dólar devolveu os ganhos e fechou em queda de 0,88%, cotado a R$ 5,249.

Com o payroll desta sexta, o mercado virou.

“Os primeiros dados pareciam indicar o início de uma desaceleração. No entanto, a divulgação do payroll surpreendeu indicando um mercado de trabalho ainda resiliente. A maior possibilidade de manutenção de juros aumenta a demanda por dólares, valorizando a moeda”, afirma André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online.

Ele cita, ainda, que até existe uma pequena possibilidade de que o início do ciclo de corte de juros nos EUA comece em setembro, mas que as apostas de que as taxas mantenham-se inalteradas neste ano ganharam mais força após os dados de emprego desta manhã.

Já Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management, diz que ainda espera um corte nas taxas em setembro, mas que outro conjunto de dados como os desta sexta tiraria essa possibilidade da mesa.

“Os dados de emprego de hoje minam a mensagem que outros dados econômicos recentes têm transmitido sobre o desaquecimento da economia dos EUA e fecham a porta para um corte na taxa de juros em julho. Não apenas o número de empregos criados explodiu novamente, como também o crescimento dos salários surpreendeu positivamente”, diz Sah.

O estrategista menciona, por outro lado, que os dados afastam a possibilidade de uma recessão na economia dos EUA.

Compartilhe:

Últimas Notícias
Editorias

Assine nossa Newsletter

Purus ut praesent facilisi dictumst sollicitudin cubilia ridiculus.