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'Doido', pedreiro artilheiro e goleiro sérvio, as atrações do Paraibano

FolhaPress 03/02/2025 11:08

(UOL/FOLHAPRESS) - O nome é Josenildo Santos Melo Filho, mas pode chamar de Doido. O Doido de Mandacaru, um bairro de João Pessoa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com 24 anos, 20 deles vividos em orfanatos, era um dos destaques do X1, modalidade de futebol society, em que cada equipe conta com apenas um jogador - e mais o goleiro - de cada lado.

Ele fez um vídeo pedindo oportunidade no futebol e foi acolhido no Auto Esporte. Na primeira rodada do Campeonato Paraibano, fez um belo gol de falta aos 41 minutos do segundo tempo e levou seu time ao empate contra o poderoso Treze.

Procurado para entrevistas depois do jogo, contou toda a tristeza de sua vida, desde a morte do pai, quando tinha somente 4 anos até a passagem por orfanatos e a dificuldade em falar, o que valeu o apelido de Doido. Doido de Mandacaru. Falou ainda do sonho de jogar no Vasco. Sonho que parece impossível, ele ainda é reserva no Auto Esporte.

O Campeonato Paraibano teria o duelo entre o Doido e Etinho Cavalo de Aço, outro craque do X1. Duelo frustrado. Etinho não se adaptou e foi dispensado pela Picuiense antes de a bola rolar.

O mês de novembro é de festa para a paraibana Picuí, cidade de 19 mil habitantes, a 230 quilômetros de João Pessoa. Todos aproveitam a Festa da Carne de Sol.

SESC PICASSO

"Tem corrida de garçom, com bandeja e copos e concurso de comilão. Quinze minutos cronometrados e tem gente que come um quilo e meio", conta Halid Mohamed, 37 anos, vice-presidente da Desportiva Picuiense, fundada em 2008 e que disputa a primeira divisão do Campeonato Paraibano pela primeira vez.

TIME DE VÁRIAS NACIONALIDADES

Neto de palestinos, Halid não é a única presença estrangeira no clube. Tem argentino, equatoriano, guineense e tinha Nikola Peric, goleiro sérvio, que já atuou pela seleção de base de seu país e abandonou tudo pela aventura brasileira.

"Não ligo para dinheiro e a oportunidade de jogar no Brasil, o país que é o berço do futebol e que tem belas praias, foi irrecusável". As belas praias mais próximas ficam no Rio Grande do Norte e não na Paraíba.

A primeira vinda de Nikola ao Brasil foi para jogar no Altos, do Piauí. Voltou para a Servia, ficou seis meses e, de volta ao Brasil, defendeu equipes como Spartak, Jarabacoa, Lucena, Forca e Luz e Novo Horizonte, antes de chegar à Picuiense, onde era o maior salário, R$ 4 mil por mês.

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"Eu estava a ponto de fazer uma carreira séria na Sérvia, joguei em seleção de base, mas resolvi mudar. Aqui também é sério, todos trabalham duro, mas sei que não é um grande clube, como Flamengo".

A aventura terminou com a goleada sofrida por 6 x 0 diante do Campinense. Peric foi demitido.

A cidade de Bananeiras fica a 130 quilômetros de Picuí. A universidade local tem convênio e recebe estudantes de Guiné-Bissau. Um deles, Marcelino Embana, veio estudar agronomia. Passou a disputar campeonatos amadores. Um vídeo no YouTube chamou a atenção de Halid e... pronto, faz parte da folha salarial de R$ 55 mil mensais da Picuiense.

Chegaram, através de um empresário, Nacho, atacante argentino de 18 anos, e Victor, lateral equatoriano de 20. "Eles vão ficar no time de base por enquanto. Queremos jogar a Copinha do próximo ano", afirma Halid.

A Copinha é a razão de a Picuiense estar na primeira divisão. A vaga era do Cruzeiro, de Itaporanga, que preferiu disputar a competição sub-20 em São Paulo.

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Campeonatos amadores são fonte de captação de jogadores para Halid. Ele ouviu falar de Alan, artilheiro do campeonato de Pedra Lavrada, a 35 quilômetros. Foi buscar informações e soube que ela artilheiro em três outras cidades.

Foi contratado e dono de um momento emocionante. Fez os dois gols no empate por 2 a 2 com o Nacional de Patos, o último deles nos acréscimos. Chorou muito. "Faz dois meses eu era servente de pedreiro e agora estou na primeira divisão da Paraíba".

TEM ATÉ DINOSSAURO

Servia, Guiné-Bissau, Equador, Argentina, Pedra Lavrada e...a terra dos Dinossauros, como é conhecida Sousa, no Sertão Paraibano.

A cidade é conhecida por ter a maior quantidade de pegadas de dinossauros do Brasil, descobertas há 100 anos. De lá, veio o atacante Júnior. Júnior Dinossauro, que tem o apelido tatuado na perna.

E o que a Picuiense espera do campeonato? "Nossa vaga foi confirmada no inicio do ano, tivemos pouco tempo para treinar e somos a equipe marcada para cair. Mas estamos enfrentando ", diz Halid.

E se não der certo? "A gente luta para subir de novo, a gente não desiste".

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