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Diretriz do governo Trump pode estender detenção de imigrantes por anos

FolhaPress 15/07/2025 16:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Imigrantes em situação irregular que foram presos nos Estados Unidos não poderão mais pedir uma audiência de fiança enquanto esperam ser julgados, diz um memorando do ICE (Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro) da semana passada revelado pela imprensa americana.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Antes da nova orientação, imigrantes que residissem nos EUA podiam solicitar uma audiência de fiança diante de um juiz de imigração, mas o governo "revisitou sua posição legal sobre autoridades de detenção e liberação", escreveu o diretor interino do órgão, Todd M. Lyons, no documento do dia 8 de julho visto primeiro pelo jornal The Washington Post.

Agora, estrangeiros que chegaram ilegalmente "não podem ser liberados da custódia do ICE" e devem permanecer presos "durante todo o período de seus processos de remoção", independentemente do tempo em que moraram no país. Há casos em que o imigrante pode alcançar liberdade condicional, mas são exceções que podem ser abertas por um oficial de imigração, não mais um juiz.

A mudança, mais uma ofensiva do presidente Donald Trump contra a migração, pode fazer com que milhões de pessoas que contestam sua deportação fiquem detidas por meses ou anos enquanto aguardam seu processo correr.

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A nova política se baseia na lei de imigração americana, segundo a qual estrangeiros em situação irregular "devem ser detidos" após sua captura —regra que costumava ser aplicada apenas àqueles presos logo após entrarem ilegalmente nos EUA, e não aos que residem no país há muito tempo.

Segundo Tom Jawetz, que trabalhou na segurança interna no governo do presidente Joe Biden, a mudança parece reverter os padrões legais que regem a detenção há décadas. O funcionário do antecessor de Trump afirmou à agência de notícias Reuters que a regra representa "um afastamento radical que poderia fazer explodir a população detida".

A política entrou em vigor imediatamente, segundo o Washington Post. Desde que o memorando foi publicado, integrantes da Associação Americana de Advogados de Imigração vinham relatando negativas a audiências de fiança em diversos tribunais americanos, que são supervisionados pelo Departamento de Justiça.

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O texto foi publicado dias após o Congresso americano aprovar uma lei de gastos que financia a detenção de pelo menos 100 mil pessoas por dia —um aumento em relação ao recorde de 58 mil no final de junho.

Segundo o Washington Post, a média é de 56 mil detenções diariamente, em um esforço para cumprir a promessa de campanha de Trump de deportar 1 milhão de pessoas em seu primeiro ano e fazer a "maior operação de deportação da história americana". Para isso, autoridades reabriram centros de detenção fechados por Biden devido a preocupações de segurança e começaram a enviar imigrantes para outros países, como Sudão do Sul e El Salvador.

"Esta é a maneira deles de implementar nacionalmente um método para deter ainda mais pessoas", disse ao jornal americano o diretor sênior de relações governamentais da Associação Americana de Advogados de Imigração, Greg Chen. "Está exigindo a detenção de muito mais pessoas sem qualquer análise real de suas circunstâncias individuais."

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A orientação do início de julho determinava que o ICE interpretasse várias disposições da lei de imigração como "proibições de liberação" após uma prisão e incentivava os promotores do órgão a "apresentar argumentos alternativos em apoio à detenção contínua" durante audiências em tribunais de imigração.

Na prática, a mudança estende uma política aplicada a recém-chegados a milhões de pessoas, algumas que até mesmo têm filhos americanos, segundo advogados de imigração ouvidos pelo Washington Post.

"Acho que alguns tribunais vão concluir que isso não dá aos não-cidadãos o devido processo legal suficiente", disse ao jornal americano Paul Hunker, advogado de imigração e ex-conselheiro-chefe do ICE na área de Dallas, no Texas. "Eles poderiam ser detidos indefinidamente até serem deportados."

O próprio documento visto pela imprensa americana já previa que a mudança na política "provavelmente será contestada judicialmente". O Departamento de Segurança Interna dos EUA e o ICE não responderam imediatamente a pedidos de comentário do Washington Post ou da Reuters.

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