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Detido, presidente afastado da Coreia do Sul continua se recusando a depor

FolhaPress 16/01/2025 17:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Detido para interrogatório no âmbito de uma investigação por insurreição na quarta-feira (15), o presidente destituído da Coreia do Sul Yoon Suk Yeol recusou-se novamente a prestar depoimento nesta quinta (16), disse seu advogado. A saúde do líder foi o fator usado para justificar sua ausência.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A resistência de Yoon dificulta a apuração que busca determinar se ele cometeu o crime ao declarar lei marcial no país, em dezembro passado. A infração é uma das poucos contra as quais um presidente sul-coreano não tem imunidade, e pode levar a uma sentença de prisão perpétua ou mesmo pena de morte.

As autoridades a princípio teriam 48 horas para interrogá-lo, mas a contagem foi pausada depois que a defesa do presidente afastado pediu para avaliar a legalidade de sua detenção. Uma vez que o prazo for retomado e chegar ao seu fim, o líder precisa ser solto, ou as forças de segurança precisarão obter um mandado de prisão de até 20 dias.

Os investigadores não explicaram porque não o obrigaram a depor nesta quinta.

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Yoon tampouco compareceu à audiência do Tribunal Constitucional que o julga em um processo paralelo, relativo à pertinência de seu impeachment pelo Congresso.

Sua ausência não comprometeu a sessão, no entanto —ele foi representado por seus advogados, que disseram que o afastamento não tinha como objetivo defender a Constituição como dizem os deputados, e sim "usar o poder da maioria [...] para usurpar a posição do presidente".

Yoon mergulhou a Coreia do Sul em sua pior crise política em décadas ao suspender a ordem civil e enviar soldados para a Assembleia Nacional em 3 de dezembro. Os deputados conseguiram, porém, se reunir naquela mesma noite para derrubar a medida. Dias depois, aprovaram o impeachment do presidente.

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A partir de então, o líder se isolou na residência presidencial oficial, em Seul, e mandou seus seguranças cercarem a propriedade. O escritório anticorrupção que o investigava até tentou prendê-lo no início de janeiro, mas desistiu depois de entrar em confronto com apoiadores do presidente que também tinham se postado no local.

A operação enfim foi realizada na quarta, tornando Yoon, que é conservador, o primeiro chefe de Estado sul-coreano em exercício a ser preso.

Um dos advogados de Yoon, Cho Dae-hyen, disse que a decisão do presidente suspenso de declarar lei marcial foi tomada de boa-fé, com base em sua visão de que o país estava em estado de emergência. Outro membro da defesa do líder, Bae Jin-han, foi irônico, dizendo em tom de piada que bastava respirar para sofrer um impeachment hoje.

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Pouco antes de ser preso, Yoon compartilhou um vídeo em que dizia que se entregaria aos interrogadores para evitar um potencial "derramamento de sangue". Continuou, porém, afirmando que a investigação em questão era ilegal e o mandado de prisão emitido contra ele, inválido.

Depois que o líder já tinha sido levado pelas autoridades, uma carta assinada por ele foi publicada em sua página no Facebook. No texto, o presidente afastado diz que a medida —uma tentativa de autogolpe— tinha como objetivo "proteger a soberania e restaurar a ordem".

Ao anunciar a lei marcial, Yoon justificou-a com a acusação fantasiosa de que a oposição estava "travando o funcionamento do país" sob orientação da Coreia do Norte, com quem Seul vive um estado de guerra congelado desde o armistício que encerrou três anos de combates e dividiu a Península Coreana em 1953.

Deputados do bloco contrário ao dele vinham bloqueando a aprovação da lei orçamentária de 2025 no Congresso e pedindo o impeachment de procuradores nomeados por seu governo.

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