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Desi Bouterse, ex-ditador do Suriname foragido da Justiça, morre aos 79

FolhaPress 25/12/2024 14:18

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-ditador do Suriname Desi Bouterse morreu aos 79 anos nesta terça-feira (24), quase um ano após ter fugido das autoridades para evitar ser preso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Bouterse foi condenado em 2019 pela execução de 15 opositores políticos após um golpe de Estado para tomar o poder, em 1982.

"O governo foi informado, por meio da família e de suas próprias investigações, sobre o falecimento do senhor D. Bouterse, ex-presidente da República do Suriname", disse o ministro das Relações Exteriores, Albert Ramdin, à agência Reuters nesta quarta (25).

O governo não confirmou onde ocorreu a morte, nem mesmo em qual país. Na semana passada, as autoridades surinamesas invadiram a casa do ex-ditador, mas não o encontraram. Apoiadores se reuniram lá para prestar homenagens a ele na manhã desta quarta.

Bouterse administrou o país sul-americano como ditador de 1980 a 1987. Ele voltou ao poder em 2010, via eleições. Na ocasião, o seu partido, o NDP (Partido Nacional Democrata), foi o mais votado, e ele assumiu o comando da nação depois de ter seu nome escolhido pelo Congresso –no Suriname, a eleição presidencial é indireta. Ele deixou o cargo em 2020.

SESC PICASSO

Em 1999, Bouterse foi condenado por tráfico de drogas por uma corte holandesa, embora tenha negado qualquer crime. Em 2005, a Justiça do Suriname condenou seu filho, Dino, por formação de quadrilha e tráfico de cocaína, armas e carros de luxo.

Em 2019, enquanto ainda liderava o país, Bouterse recebeu uma sentença de 20 anos de prisão por um tribunal do país.

O tribunal concluiu que o ex-ditador supervisionou uma operação na qual soldados sob seu comando sequestraram 16 críticos do governo com projeção —incluindo advogados, jornalistas e professores universitários— e mataram 15 deles em uma fortaleza colonial na capital, Paramaribo.

Outras seis pessoas também foram condenadas pelas execuções. Bouterse afirmou que os homens assassinados estavam ligados a um plano de invasão da antiga colônia holandesa.

Após anos de idas e vindas jurídicas, Bouterse foi intimado a se apresentar na prisão em janeiro, mas não apareceu na data marcada.

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