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Desastres climáticos atingiram mais de 90% dos municípios brasileiros em três décadas

Estudo aponta quase 60 mil ocorrências, mais de 4,7 mil mortes e prejuízos econômicos superiores a US$ 123 bilhões entre 1991 e 2024

Vitória News 25/07/2026 10:13
Desastres climáticos atingiram mais de 90% dos municípios brasileiros em três décadas
Foto: Arquivo/ABr

Mais de nove em cada dez municípios brasileiros registraram pelo menos um desastre climático entre 1991 e 2024. O levantamento identificou ocorrências em 5.096 das 5.570 cidades do país.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, da Universidade de São Paulo e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Ao todo, foram analisadas 59.658 ocorrências relacionadas à falta ou ao excesso de chuvas durante o período de 34 anos.

Secas, tempestades e inundações

Os desastres foram divididos em quatro categorias: secas, tempestades, inundações e deslizamentos de terra.

O grupo das inundações também inclui alagamentos e enxurradas, eventos que podem causar danos rápidos à infraestrutura urbana e colocar moradores de áreas vulneráveis em risco.

O Nordeste concentrou o maior número de municípios atingidos, seguido pelas regiões Sudeste, Sul, Norte e Centro-Oeste.

Milhares de cidades enfrentaram mais de um tipo de desastre ao longo do período analisado, demonstrando a recorrência dos eventos extremos em diferentes áreas do país.

Mais de 129 milhões de pessoas afetadas

Os desastres climáticos provocaram 4.774 mortes e deixaram 3.031 pessoas desaparecidas entre 1991 e 2024.

Mais de 129,7 milhões de pessoas foram afetadas pelas ocorrências, seja por deslocamentos, perdas materiais, interrupção de serviços públicos ou prejuízos às atividades econômicas.

As perdas econômicas ultrapassaram US$ 123,8 bilhões. O cálculo considera danos à infraestrutura, destruição de imóveis e impactos sobre setores produtivos.

Mudanças climáticas ampliam impactos

Os pesquisadores destacam que os desastres não podem ser entendidos apenas como fenômenos naturais.

As consequências são agravadas pelas mudanças climáticas, pela ocupação de áreas de risco, pela expansão urbana sem planejamento adequado e por deficiências na gestão pública.

A falta de sistemas de drenagem, moradias construídas em encostas e margens de rios e a redução da cobertura vegetal aumentam a vulnerabilidade das cidades.

Números podem ser ainda maiores

O estudo alerta que os impactos reais podem superar os registros oficiais devido à subnotificação e às limitações dos sistemas utilizados para reunir informações sobre os desastres.

Ocorrências menores ou registradas em municípios com pouca estrutura administrativa podem não aparecer integralmente nas bases de dados.

Os pesquisadores defendem o fortalecimento das Defesas Civis municipais, a ampliação do monitoramento e o aperfeiçoamento dos sistemas de registro.

Também apontam a necessidade de investimentos em prevenção, planejamento urbano e infraestrutura para reduzir os danos e ampliar a capacidade de resposta das cidades brasileiras.

Com informações da Agência Fapesp

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