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Desânimo marca abertura da conferência de paz sobre Ucrânia

FolhaPress 15/06/2024 11:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cúpula convocada pela Suíça para discutir uma saída para a Guerra da Ucrânia começou neste sábado (15) sob o signo do desânimo, refletindo as divisões mundiais acerca da fórmula para encerrar a invasão russa ordenada por Vladimir Putin em 2022.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Muitas questões de paz e segurança serão discutidas, mas não as maiores", afirmou o primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, ao chegar à conferência, que ocorre em um resort à beira do cênico lago Lucerna, em Obbürgen.

O tom não podia ser mais morno. "Esta é uma plantinha que precisa ser regada, mas é claro que que com uma perspectiva de que algo mais sairá disso", completou o alemão.

A própria composição do encontro lhe garante o status de uma reunião de apoiadores da Ucrânia, a começar pelo fato de que a Rússia não foi convidada. Dos 160 países chamados, 90 enviaram delegações, 37 delas lideradas por chefes de Estado ou de governo.

Dois Estados, Brasil e Vaticano, enviaram apenas um observador cada. No caso brasileiro, a presença da embaixadora do país na Suíça é uma deferência a seu voto na ONU condenando a invasão, mas estampa a visão do Itamaraty de que não há solução sem que russos e ucranianos sentem-se à mesa.

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Outras seis organizações internacionais enviaram delegações, e duas, observadores --inclusive as Nações Unidas.

A visão brasileira é defendida pela China, maior aliada de Putin e principal ausência na Suíça. Na sexta (14), um representante chinês na ONU disse que apenas uma negociação dentro do Conselho de Segurança da entidade, com Kiev e Moscou presentes, pode ter sucesso.

Os Estados Unidos, principais fiadores do apoio militar a Kiev, enviaram apenas a vice-presidente, Kamala Harris, ao encontro. O prêmio de consolação ante o desprestígio, já que Joe Biden estava na Itália para o encontro do G7, foi a assinatura de um acordo militar pomposo, mas de execução duvidosa, entre o presidente americano e seu colega ucraniano, Volodimir Zelenski.

Kamala também anunciou uma ajuda extra, de US$ 1,5 bilhão, para ajudar a reconstruir o sistema energético da Ucrânia. Neste sábado, os russos deixaram parte da região de Tchernihiv (norte) no escuro, em mais um ataque contra centrais elétricas.

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Antes da sessão plenária da conferência, Zelenski previsivelmente preferiu uma fala olhando o copo meio cheio, celebrando a presença dos 90 convidados. "A Ucrânia nunca quis essa guerra", disse ele ao lado da presidente suíça, Viola Amherd.

Com efeito, a ideia ventilada pelo seu assessor Andrii Iermak ao longo da semana é de que a conferência aprove um rascunho de proposta de paz para ser apresentada em uma segunda reunião, esta com a presença da Rússia.

Putin tem seus próprios planos. Além de qualificar o encontro suíço como "fútil", o russo criou um fato político na sexta ao apresentar pela primeira vez de forma clara uma demanda para acabar com a guerra.

O presidente diz que interrompe os combates e começa a negociar se a Ucrânia aceitar ceder as quatro regiões que o Kremlin anexou ilegalmente, embora não exerça controle militar total sobre elas, em setembro de 2022. Nenhuma palavra sobre a Crimeia, anexada em 2014 pelo russo.

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Além disso, a Rússia exige a neutralidade do vizinho e sua desmilitarização. Como mostrou reportagem neste sábado do jornal The New York Times, com novos documentos das negociações entre Kiev e Moscou no começo da guerra, o tamanho das forças ucranianas foi um dos pontos em que as conversas encalacraram.

Passados mais de dois anos, tendo recebido grande quantidade de material militar e, agora, autorização para empregá-lo em solo russo, a demanda soa tão inaceitável ao ouvidos de Zelenski quanto concessões territoriais --o ucraniano até editou um decreto proibindo negociar com a Rússia enquanto Putin for presidente.

Kiev e os aliados rejeitaram o plano de Putin, que Scholz afirmou não "ser sério". Já o Kremlin criticou a reação em uníssono dos rivais, chamada de "pouco construtiva".

A reunião na Suíça acaba neste domingo (16) com reuniões temáticas baseadas no plano de dez pontos que Zelenski apresentou em 2022, que é igualmente uma lista de exigências sem concessões à Rússia. Serão discutidas segurança nuclear, exportação de grãos e questões humanitárias.

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