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Deputado paraguaio zomba de Luighi por chorar após ato racista

FolhaPress 18/03/2025 19:17

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em uma fala racista e machista, o deputado paraguaio Yamil Esgaib zombou do atacante Luighi, do time sub-20 do Palmeiras, por ter chorado após ser vítima de racismo em uma partida contra o Cerro Porteño. A fala ocorreu nesta terça-feira (18), no Congresso.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O político não menciona nominalmente Luighi, mas a referência ao caso ocorrido no início deste mês fica evidente no discurso que foi transmitido ao vivo. Ele diz que chorar é uma atitude de "maricas" e que, uma vez em campo, é preciso ter "masculinidade".

Diz o deputado rodeado por seus pares: "Um tema que ultimamente está muito em voga é a discriminação. Mas no nosso país estamos muito bem neste tema. Até hoje chamamos o negro de negro, o loirinho de 'sayju' [amarelo em guaraní], e ninguém fica chateado."

"Se de forma pejorativa ou agressiva se diz isso, pode ocorrer uma linda briga, mas nunca chorar na frente das câmeras. Essa é a geração cristal. Deixem de ser maricas, ainda mais nos campos de futebol, onde se mostra a masculinidade, onde se diz de tudo", segue ele.

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Luighi foi alvo de injúria racial no jogo da Copa Libertadores da categoria sub 20 contra o Cerro Porteño, no Paraguai, no último dia 6. Durante o confronto, torcedores do time rival fizeram gestos imitando macaco na direção do brasileiro.

Na entrevista coletiva após a partida, o atacante chorou e se mostrou inconformado com o fato de um repórter fazer uma pergunta sobre o jogo, e não sobre o episódio racista. "É sério isso? Vocês não vão perguntar sobre o ato de racismo que fizeram comigo? Até quando a gente vai passar por isso" O que fizeram comigo foi um crime", disse, em lágrimas. "A Conmebol vai fazer o que sobre isso?"

Justamente a resposta da Confederação Sul-Americana de Futebol é o que tem sido alvo de criticas. A comissão disciplinar da entidade estabeleceu multa no valor de US$ 50 mil (R$ 288,4 mil) ao Cerro Porteño. A direção do Palmeiras diz que isso é insuficiente para combater as práticas frequentes de racismo no futebol.

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O mesmo deputado que zombou do jovem atacante brasileiro também criticou o estabelecimento da multa. "Que culpa [os clubes] têm que um dirigente ou um torcedor que em um momento quente grite algo pejorativamente? É um disparate maiúsculo. Falta um critério no tema discriminação."

O deputado é membro do Partido Colorado, o maior no país e o mesmo do atual presidente, Santiago Peña. Desde que assumiu o cargo, em 2023, ele colecionou uma lista de falas e atitudes violentas e machistas, compiladas pelos jornais locais.

A reportagem entrou em contato com o governo do Paraguai, do presidente Santiago Peña, e aguarda posicionamento sobre as falas racistas proferidas por um correligionário e por um paraguaio em um alto cargo na região, no caso do presidente da Conmebol.

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Em outubro daquele ano, por exemplo, ameaçou agredir fisicamente uma senadora. No dia seguinte, ao comentar o tema, afirmou que seu objetivo era "quebrar a cara" de quem o considera sem educação. Também já ameaçou jornalistas mulheres ao vivo na TV.

No último dia 12, o Cerro pediu à Polícia Nacional do Paraguai que colabore para encontrar o torcedor que fez as ofensas contra Luighi. O clube pede que haja individualização dele para que o nome possa ser apresentado à Associação Paraguaia de Futebol e à Conmebol.

Menos de um dia antes da fala do deputado, o presidente da Conmebol, o também paraguaio Alejandro Domínguez, foi alvo de críticas.

Ao comentar a sugestão da presidência do Palmeiras de que os clubes brasileiros deixem a Conmebol e se associem a outra confederação, ele afirmou que a Libertadores sem o Brasil seria como "o Tarzan sem a Chita". Depois, retratou-se pelo que chamou de uma "frase popular", mas sem a "intenção de menosprezar nem desqualificar ninguém".

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