Democratas se negam a comentar performance de Biden no debate, e republicanos celebram lavada

ATLANTA, None (FOLHAPRESS) – Não havia um democrata para falar com a imprensa após o fim do debate entre Joe Biden e Donald Trump. Em contrapartida, os republicanos eram inúmeros.

A ausência ilustra a crise que se abateu sobre o partido após o desempenho ruim do presidente no embate, confirmando o maior temor do partido: que o candidato reforçasse a imagem de velho demais para o cargo.

Biden se confundiu, gaguejou, esqueceu palavras –tudo somado a uma performance sem energia. Trump, por sua vez, se sobressaiu como mais vigoroso.

“Francamente, a performance foi quase um pouco triste de assistir às vezes. Houve momentos nos primeiros minutos em que começamos a ouvir que a campanha de Biden começou a falar que ele estava resfriado. Resfriado ou não, do começo ao fim, Biden simplesmente não tinha o que precisava”, disse à reportagem Brian Hughes, conselheiro-sênior da campanha republicana.

“Eu não tenho uma lista longa o suficiente dos momentos ruins de Biden. Provavelmente é mais fácil dizer quais bons momentos ele teve, mas não consigo pensar em nenhum”, afirmou Jason Miller à reportagem, na minha linha.

Demorou até que uma delegação democrata surgisse no “spin room”, área do centro de imprensa em que representantes das campanhas conversam com repórteres para argumentar em favor de seu candidato.

Foram escaladas seis pessoas para, em conjunto, fazer a defesa de seu candidato após a performance desastrosa. O principal nome foi o governador da Califórnia, Gavin Newsom, não só por ter o de maior gabarito do grupo, mas principalmente por ser frequentemente como uma alternativa a Biden caso o partido decida substituí-lo na chapa –conversa que voltou a todo vapor agora.

Como esperado, Newsom negou publicamente que considera se candidatar no lugar de Biden e reafirmou seu apoio ao presidente. Ainda assim, o assédio a ele no “spin room” foi digno de alguém na corrida pela Casa Branca.

Os democratas se negaram a comentar a performance de Biden, afirmando que o que importa é “a substância”, ou seja, o conteúdo. E, nesse sentido, defenderam que o presidente foi muito melhor, destacando as conquistas de seu governo, enquanto Trump repetiu diversas mentiras, disseram.

“Sou um pouco antiquado. Eu me importo com substância. Eu me importo com políticas. Eu me importo com fatos. Eu me importo com as pessoas sendo responsáveis por suas mentiras. O que vi esta noite foi a fraqueza de Donald Trump disfarçada de força. O cara foi incapaz de responder qualquer pergunta diretamente”, afirmou o governador da Califórnia.

“Na minha humilde perspectiva, isso não é sobre estilo”, disse, repetindo a mensagem que a campanha tenta passar para apagar o incêndio na sua chapa à Presidência.

Michael Tyler, diretor de comunicações da campanha de Biden, também fugiu da pergunta obre performance, assim como os deputados, senadores, e até a ex-mulher de Trump, Mary, que falaram em defesa do presidente.

O deputado Robert Garcia, de oritem latina, destacou os repetidos ataques do empresário aos imigrantes no debate. “Donald Trump, esta noite, redobrou sua retórica anti-imigrante. Ele disse que os imigrantes estão criando um ninho de ratos neste país, que somos um país incivilizado porque trazemos imigrantes. Isso é ofensivo para a comunidade latina e para os imigrantes que ajudaram a construir os Estados Unidos”, afirmou.

O desempenho decepcionante de Biden frustrou democratas que esperavam dele firmeza contra Trump. Era esta a expectativa, por exemplo, de Bill de Blasio, ex-prefeito de Nova York (2014-2022), que respondeu a perguntas da Folha de S.Paulo em evento em São Paulo, ocorrido horas antes do embate.

Se Biden pudesse pegar o discurso do Estado da União de alguns meses atrás [7 de março de 2024] e repetir algumas das melhores falas dele —porque ele realmente apresentou um número extraordinário de boas mensagens naquele discurso—, venceria o debate. Não foi só a mensagem. Foi a assertividade e a agressividade”, disse De Blasio. Ele participou de encontro do IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa) e foi entrevistado pelo advogado Walfrido Warde, presidente do IREE, sobre as eleições americanas.

Republicanos, em contraste, celebraram a performance de Trump como uma vitória de lavada. O “spin room” lotou de integrantes do partido, identificados por placas com nome e cargo, para serem mais facilmente identificados pelos jornalistas.

“O presidente Donald J. Trump obteve a vitória mais histórica de qualquer debate presidencial na história moderna. O povo americano viu a fraqueza de Joe Biden, que mal conseguiu sobreviver ao debate, física e mentalmente incapaz, inapto para ser o presidente dos Estados Unidos”, afirmou a deputada republicana Elise Stefanik, cotada para vice do empresário.

“A verdade é que esse homem não pode continuar como presidente. Tenho profundas preocupações com nosso país, mesmo para os próximos seis meses, com esse homem no comando”, afirmou o empresário republicano Vivek Ramaswamy.

“Acho que o Partido Democrata está prestes a enfrentar um acerto de contas, se esse homem é o melhor que eles podem apresentar, isso diz tudo o que você precisa saber sobre o Partido Democrata moderno”, completou.

Somaram-se a eles os co-diretores do Comitê Nacional Republicano, Lara Trump e Michael Whatley, os deputados Byron Donalds e Matt Gaetz, os integrantes da campanha Brian Hughes e Jason Miller –todos em claro clima de vitória.

“Sabíamos que teríamos a oportunidade de apresentar o contraste ao povo americano. Então, esse contraste foi demonstrado. E agora o povo americano tem uma escolha em novembro. Então estamos animados com isso”, resumiu Hughes.

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Colaborou Ivan Finotti, de São Paulo

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