O ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) publicou nesta quinta-feira, 8, um vídeo nas redes sociais em que aparece chorando e relembra os últimos dias de sua campanha ao Senado pelo Paraná. Na gravação, ele afirma que teve a campanha restringida na reta final, mas conseguiu vencer a disputa nas urnas, e atribui o resultado a Deus.
Dallagnol também acusou o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo que questiona sua candidatura, de ter contribuído para as restrições. "Eles me tiraram tudo, o ministro Floriano de Azevedo Marques, escolhido por Lula, amigo de Moraes, amigo de Toffoli, desde a década de 80, ele me proibiu de fazer campanha", disse.
Dallagnol relacionou as medidas à possibilidade de a petista Gleisi Hoffmann avançar na disputa pelo Senado. "Eu fui amarrado porque assim Gleisi podia me passar, porque a Gleisi teria a chance de ser eleita, porque os aliados de Moraes poderiam ser eleitos, porque eu estava no topo de praticamente todas as pesquisas de intenção de voto", afirmou.
O ex-procurador disse que considerava difícil vencer diante das limitações impostas à campanha, mas afirmou que o resultado contrariou suas expectativas. Segundo ele, a campanha ficou impedida de gastar recursos, distribuir materiais e utilizar espaços de rádio e televisão, além de não poder impulsionar conteúdos nas redes sociais.
"Minha campanha não podia mais gastar mais R$ 1. Eu tive que rescindir 50 contratos, fui proibido de distribuir materiais, tirado do horário de TV e de rádio, eu não podia mais impulsionar conteúdos no Instagram", disse.
Dallagnol afirmou ainda que as restrições impostas à sua campanha o impediram de pedir votos e de divulgar seu número eleitoral. "Eles me proibiram até do direito político mais básico, pedir voto. Eu não podia estar aqui com o meu número 300 mostrando para vocês, tive que tirar tudo da minha rede social. Eu fui censurado", declarou.
Julgamento no TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou o julgamento que definirá a validade da candidatura de Dallagnol ao Senado. O processo estava previsto para ser analisado nesta quinta-feira, 8, mas não foi chamado para julgamento. Ainda não há nova data definida.
Dallagnol recebeu o total de 2.904.594 votos no primeiro turno no Paraná, o equivalente a 25,14% dos votos válidos. Porém, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) já havia deferido o registro da candidatura dele. O entendimento foi de que Dallagnol não teria solicitado exoneração do cargo de procurador da República com o objetivo de evitar a aplicação de uma causa de inelegibilidade. O recurso apresentado ao TSE pede o indeferimento do registro e a nulidade dos votos atribuídos à chapa majoritária.
Na véspera do primeiro turno, Floriano de Azevedo Marques havia acolhido individualmente o pedido que contestava a candidatura e determinado que os votos recebidos por Dallagnol fossem considerados nulos. A decisão foi posteriormente suspensa pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques.
Ao suspender os efeitos da decisão, Nunes Marques considerou que não seria razoável que uma determinação individual provocasse uma alteração de grande proporção a menos de um dia da abertura das urnas. Também apontou o risco de impacto relevante sobre a ordem eleitoral.
Com a suspensão, os votos de Dallagnol voltaram a ser contabilizados. A situação permanece pendente de uma decisão definitiva do plenário do TSE.