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Conheça as tradições das cerimônias de posse de presidentes nos EUA

FolhaPress 15/01/2025 10:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lady Gaga no hino, embaixadores na plateia, bíblia sob a mão e primeira-dama de azul. A posse do atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em 2021, reforçou algumas das tradições esperadas para o evento. Nesta segunda-feira (20), no Capitólio, Donald Trump deve fazer o mesmo. Ou quase.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

É tradição americana que um artista consideravelmente popular seja convidado a cantar o hino da nação —Biden o fez com a performance de Lady Gaga. Também é tradição que o juramento —um dos poucos detalhes obrigatórios previstos na Constituição— seja conduzido pelo presidente da Suprema Corte e proclamado com uma bíblia sob a mão esquerda do novo mandatário.

A cada quatro anos, esse momento se repete nos dias 20 de janeiro. A única exceção se dá quando a data coincide com um domingo —nesse caso, o evento é transferido para o dia 21. A realização neste dia é tradição desde a posse do segundo mandato de Franklin Roosevelt, em 1937. Anteriormente, o vitorioso somente era empossado em 4 de março, meses depois da efetiva eleição —com maior rapidez no processamento dos votos, a 20ª emenda foi aprovada e definiu a nova data.

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A presença de outros líderes internacionais, símbolo de prestígio e mesmo de validação em cerimônias semelhantes pelo mundo, nos EUA é pouco importante. Como praxe, são convidados os embaixadores ou representantes da missão diplomática das nações em Washington.

Para este ano, a expectativa é um tanto diferente: Trump convidou alguns dos principais líderes de ultradireita pelo mundo. Javier Milei —que, segundo a mídia argentina, está confirmado—, Binyamin Netanyahu, de Israel; Giorgia Meloni, da Itália; Nayib Bukele, de El Salvador; e Viktor Orbán, da Hungria.

Também é verdade que o republicano fez convites inusitados a outro espectro político. O dirigente chinês, Xi Jinping, foi convidado no que Karoline Leavitt, porta-voz de Trump, afirmou ser "um exemplo de como o presidente Trump cria um diálogo aberto com líderes de países que não são apenas aliados".

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Para além da presença internacional —não tão necessária aos olhos de uma América que sugere implicitamente não depender de validação alheia—, o visual das figuras americanas é pauta certa. Na última ocasião, uma unidade cromática inédita entre as principais participantes da cerimônia foi um símbolo marcante.

Ao retomar tons roxos e azuis que remontam à origem democrata, ao sufrágio britânico do século 20 e à esperança de maior representatividade feminina, Kamala Harris, assumindo como vice, e Jill Biden, como primeira-dama, atraíram olhares. Michelle Obama, Hillary Clinton e Laura Bush, notáveis ex-primeiras-damas, também fizeram coro à paleta da união —seus pares seguiram, de maneira mais discreta, com suas gravatas em tons próximos.

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À época, o aceno feito foi ao desejo de, com Biden, promover uma integração nacional necessária aos EUA após o período de polarização que teve seu auge na invasão do Capitólio apenas duas semanas antes da posse do democrata. Na próxima segunda, o mesmo reduto republicano deve, também nas vestes, mostrar a sua versão do que trará o triunfo americano à vida novamente.

A presença dos derrotados democratas deve acontecer, como era de praxe até a quebra de tradição promovida por Trump, em 2021. Em um aceno esperado, mas bambo devido ao histórico recente, Kamala e Biden aceitaram a derrota e, diferentemente do republicano no último ciclo, devem comparecer ao Capitólio no próximo dia 20.

A característica cena brasileira de passagem da faixa presidencial, no entanto, não acontece nos EUA. A presença do atual e do próximo presidente, fica restrista ao âmbito simbólico de transferência e manutenção do processo democrático. Um aperto de mãos, dessa vez entre Biden e Trump, deve ser suficiente.

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