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Congresso dos EUA pressiona reitores sobre protestos pró-Palestina em audiência tensa

FolhaPress 15/07/2025 16:57

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Reitores de três universidades dos Estados Unidos prestaram depoimento nesta terça-feira (16) ao Congresso e foram questionados ao longo de três horas sobre acusações de antissemitismo dentro das instituições de ensino.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Eles foram convocados por parlamentares republicanos como parte de uma ofensiva do governo de Donald Trump contra universidades após protestos estudantis pró-palestina terem se espalhado nos campi no ano passado.

O Comitê de Educação e Trabalho interrogou nesta terça o presidente interino da Universidade de Georgetown, Robert Groves, e os reitores da City University of New York e da Universidade da Califórnia, Félix Matos Rodrígues e Rich Lyons, respectivamente.

O órgão é responsável por supervisionar o Departamento de Educação e fiscalizar como são utilizados os bilhões de dólares em financiamento federal destinados a instituições educacionais. Por isso, os parlamentares que integram o colegiado podem exigir que dirigentes de universidades prestem depoimento e pressionar essas instituições com a ameaça de corte de verbas.

A sessão desta terça ocorre meses após reitoras de universidades da Ivy League, a elite acadêmica dos EUA, enfrentarem questionamentos incisivos em audiências no fim do ano passado. O episódio culminou com a renúncia das reitoras da Universidade Harvard, Claudie Gay, e da Universidade da Pensilvânia, Liz Magill, e com cortes de financiamento federal bilionários.

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Na nova rodada de questionamentos, os reitores tentaram adotar uma posição equilibrada, afirmando que discursos que pareçam incitar à violência contra judeus são inaceitáveis, mas também defenderam as garantias de liberdade de expressão para estudantes e professores.

Os reitores se recusaram a comentar detalhes de casos específicos ou comentários de professores das instituições criticando a guerra. Rich Lyons, da Universidade da Califórnia, foi quem mais confrontou os membros do comitê.

Ele afirmou que nem todas as posições pró-Palestina são antissemitas e defendeu um professor criticado por declarações consideradas antissemitas, descrevendo-o como "um excelente acadêmico".

O docente, chamado Ussama Makdisi, fez um post afirmando: "Eu poderia ter sido um daqueles que romperam o cerco em 7 de outubro." Lyons reconheceu que a mensagem soava como uma celebração do ataque de 7 de outubro, mas se recusou a criticar o professor de forma mais ampla.

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A audiência foi interrompida algumas vezes com manifestantes gritando palavras de ordem como "Palestina livre" e "há sangue em suas mãos". O deputado republicano Randy Fine, da Flórida, usou o episódio para criticar os reitores.

"Eu responsabilizo todos vocês por isso", disse. "É a atitude que vocês permitiram em seus campi que faz as pessoas acharem que esse tipo de coisa é aceitável."

O presidente do comitê, o deputado republicanoo Tim Walberg, afirmou em comunicado antes da audiência desta terça que o grupo está "cumprindo sua promessa de proteger estudantes e professores judeus, enquanto muitos líderes universitários se recusam a responsabilizar os instigadores desse ódio, preconceito e discriminação".

Por outro lado, democratas afirmam que os republicanos usam o tema como arma política e que confundem críticas ao governo israelense com antissemitismo, comprometendo a liberdade de expressão nos campi.

A reitora de Harvard, Claudine Gay, renunciou em janeiro deste ano após seis meses no cargo. Ela, a primeira mulher negra a ocupar o posto, estava sob pressão após declarações dadas em uma audiência ao Congresso repercutirem negativamente.

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Isso porque, durante o testemunho, as reitoras se recusaram a responder "sim" ou "não" à pergunta de uma congressista republicana sobre se pedir o genocídio de judeus violaria ou não códigos de conduta das universidades. O vídeo do trecho viralizou nas redes sociais.

"Em Harvard, pedir o genocídio de judeus viola as regras sobre bullying e assédio? Sim ou não?", perguntou a deputada Elise Stefanik a Gay, que respondeu: "Pode ser, dependendo do contexto".

As críticas a sua fala se somaram a acusações de plágio em sua carreira.

Em março, o governo americano anunciou que estava retirando US$ 400 milhões (R$ 2,2 bilhões) da Universidade Columbia, por suposta omissão da instituição frente ao antissemitismo em protestos estudantis contra a guerra na Faixa de Gaza e o apoio de Washington a Israel.

A Universidade Columbia ganhou manchetes no mundo todo em 2024 quando se tornou um dos principais palcos de manifestações estudantis contra o conflito no Oriente Médio.

Alunos chegaram a montar barracas no campus para protestar contra a guerra e foram seguidos por estudantes de outras instituições americanas e de países como Austrália, França, Reino Unido, Canadá e Brasil.

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