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Confrontos deixam mais de 100 mortos em 2 dias na Síria, diz ONG; líder druso fala em massacre

FolhaPress 01/05/2025 14:00

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder religioso da minoria drusa da Síria denunciou, nesta quinta-feira (1º), uma "campanha genocida" contra sua comunidade e criticou o presidente Ahmed al-Sharaa após confrontos deixarem mais de 100 mortos em dois dias, de acordo com uma ONG.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A acusação mostra o nível de instabilidade que se mantém no país, sob novo governo desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro do ano passado.

Na época, a comunidade internacional viu com bons olhos a deposição do líder, responsável por começar uma sangrenta guerra civil que já dura mais de 14 anos, mas também desconfiou de Sharaa, um ex-jihadista que chegou a ter ligações com a Al Qaeda.

O xeque Hikmat al-Hajri, líder dessa comunidade que tem seguidores em Israel, Síria e Líbano, afirma que há uma "campanha genocida injustificada" contra civis e pede "intervenção imediata das forças internacionais" devido à falta de confiança no governo.

"Um governo não mata seu povo usando suas próprias milícias extremistas, apenas para dizer depois dos massacres que a culpa é de elementos descontrolados", declarou o líder religioso. "Um governo protege seu povo."

SESC PICASSO

Os combates desta semana teriam começado na noite de segunda-feira (28) com um ataque de grupos armados pró-governo em Jaramana, no sul do país. A motivação do ataque teria sido a divulgação nas rede sociais de uma mensagem de áudio atribuída a um druso, considerada uma blasfêmia contra o profeta Maomé. A agência de notícias AFP não conseguiu verificar a autenticidade da mensagem em questão.

Na terça (29) e na quarta (30), o conflito teria chegado aos arredores de Damasco, onde 30 membros das forças de segurança e combatentes aliados foram mortos, assim como 21 combatentes da minoria drusa e 10 civis, de acordo com o OSDH (Observatório Sírio para os Direitos Humanos), uma ONG sediada no Reino Unido.

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Na província de Sueida, no sul, um reduto da comunidade drusa, outros 40 combatentes dessa minoria morreram na quarta, sendo que 35 foram vítimas de uma emboscada, segundo a mesma organização.

Esses locais reviveram o pesadelo dos massacres que, no início de março, deixaram 1.700 mortos no oeste do país, a grande maioria deles membros da minoria alauíta, ramo minoritário do islamismo ao qual Assad pertencia. A violência nessa área costeira e montanhosa teria começado após ataques de homens filiados ao clã do ex-ditador contra as forças de segurança.

Também na quarta, Israel afirmou ter realizado um ataque contra o que classificou de um grupo extremista na Síria sob a justificativa de proteger a comunidade drusa —a primeira ofensiva militar de Tel Aviv em apoio ao grupo desde a queda de Assad, o que reflete a desconfiança do Estado judeu sobre os islâmicos sunitas que estão no poder.

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Os drusos são numerosos nas Colinas de Golã, que Israel tomou da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa desde então.

Uma fonte do Ministério do Interior da Síria disse à agência de notícias Reuters que os ataques de Israel foram feitos com drones e tiveram como alvo forças de segurança do governo. A ofensiva matou um de seus membros, na cidade predominantemente drusa de Sahnaya, nos arredores de Damasco.

Em um comunicado, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que o Exército israelense realizou "uma operação de alerta e atacou um grupo extremista" enquanto se preparava para continuar o ataque aos drusos em Sahnaya.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Síria rejeitou "todas as formas de intervenção estrangeira" nos assuntos internos do país, sem mencionar Israel, e declarou o compromisso em proteger todos os grupos sírios, "incluindo a nobre seita drusa".

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