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Conflito no Oriente Médio: como a causa palestina se relaciona com a escalada contra o Irã

Especialistas divergem sobre a ligação direta entre os ataques a Teerã e a guerra iniciada após 7 de outubro

Vitória News 03/03/2026 11:59
Conflito no Oriente Médio: como a causa palestina se relaciona com a escalada contra o Irã
Rashmi Singh, professora da PUC Minas, analisa consequências do conflito EUA-Irã. Frame/TV Assembleia MG

O ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, marcou uma nova etapa do conflito no Oriente Médio envolvendo os territórios palestinos. Desde então, a guerra na Faixa de Gaza e o aumento das tensões na Cisjordânia alteraram o equilíbrio regional e ampliaram o confronto indireto entre Israel, Estados Unidos e Irã.

Para parte dos analistas, as ações militares contra o Irã estão inseridas nesse contexto mais amplo. A avaliação é de que Washington e Tel Aviv buscam reduzir a influência regional de Teerã, considerado o principal apoiador do chamado “Eixo da Resistência” — aliança informal que reúne grupos como Hezbollah, no Líbano; Hamas, na Palestina; e os Houthis, no Iêmen.

Segundo essa interpretação, o enfraquecimento do Irã teria impacto direto sobre esses grupos, que recebem apoio financeiro, militar e político do governo iraniano. A queda do regime sírio de Bashar al-Assad, aliado de Teerã, também é vista como parte dessa reconfiguração regional.

Apoio iraniano e causa palestina

O professor Bruno Huberman, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, afirmou à Agência Brasil que o Irã ocupa posição central na oposição à política de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo ele, o apoio à causa palestina faz parte da estratégia política iraniana desde a Revolução de 1979.

Na visão do especialista, o enfraquecimento de Teerã abriria espaço para uma reorganização regional favorável aos interesses de Israel e dos EUA, inclusive no que diz respeito à expansão de assentamentos na Cisjordânia.

Nos últimos meses, Israel aprovou novas regras para aquisição de terras por israelenses na Cisjordânia, medida criticada por organizações internacionais. Dados apontam que dezenas de milhares de palestinos deixaram suas residências na região desde o início da escalada recente.

Relação indireta

Outros analistas avaliam que não há vínculo direto entre o 7 de outubro e os ataques ao Irã, embora reconheçam que os episódios façam parte de um mesmo ambiente de instabilidade.

A professora Rashmi Singh, da PUC de Minas Gerais, argumenta que a condução da guerra em Gaza teria influenciado a forma como o direito internacional vem sendo aplicado por potências ocidentais. Para ela, o cenário atual demonstra uma flexibilização de normas internacionais diante de conflitos estratégicos.

Ainda assim, Singh ressalta que a causa palestina não depende exclusivamente do Irã. Segundo a professora, o apoio externo é relevante, mas não é o único fator que sustenta a mobilização palestina.

Regionalização do conflito

Já a professora Karina Stange Caladrin, do Ibmec São Paulo, avalia que, após 2023, a guerra em Gaza ampliou o alcance regional da disputa. Segundo ela, Israel passou a tratar os grupos alinhados ao Irã como parte de um mesmo sistema de ameaças, o que aumentou a pressão sobre Teerã.

Para a especialista, a intensificação da disputa também altera o foco internacional. Em determinados momentos, a escalada contra o Irã pode reduzir a centralidade da pauta palestina no noticiário global, ainda que a mobilização política em torno da causa continue ativa.

Origem histórica da causa palestina

O conflito entre israelenses e palestinos costuma ter como marco a criação do Estado de Israel, em 1948. Naquele ano, mais de 700 mil palestinos deixaram suas terras em meio à guerra árabe-israelense — episódio conhecido como Nakba, termo árabe para “catástrofe”.

Desde então, a chamada causa palestina envolve a reivindicação do direito de retorno dos refugiados e a criação de um Estado palestino independente. Israel, por sua vez, rejeita medidas que resultem na formação de um Estado palestino nos termos defendidos por parte da comunidade internacional.

O atual cenário mostra que, embora os conflitos tenham origens distintas, a guerra em Gaza, a disputa na Cisjordânia e a pressão contra o Irã estão inseridas em uma mesma dinâmica regional, marcada por disputas geopolíticas, alianças estratégicas e diferentes interpretações sobre segurança e soberania.

Fonte: Agencia Brasil

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