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Como astro argentino fez time europeu doar dinheiro para revolução mexicana

FolhaPress 27/03/2025 15:13

(UOL/FOLHAPRESS) - Javier Zanetti foi um dos grandes jogadores da história da seleção argentina e da Inter de Milão, mas não teve a carreira marcada apenas pelo futebol dentro de campo. Fora dele, o ex-lateral se notabilizou por ações solidárias, como quando ajudou o clube italiano a fazer doações para o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), um movimento social armado do México.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O QUE ACONTECEU

O EZLN nasceu em 1994, quando um grupo de camponeses indígenas de Chiapas, no México, se rebelou contra o governo após o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) entrar em vigor. O tratado era visto por eles como exemplo de submissão ao poder americano, e o grupo tinha o objetivo de defender os direitos da população indígena.

O movimento ganhou fama em nível mundial e impactou um ainda jovem Javier Zanetti. Naquela época, o 'Pupi' estava dando seus primeiros passos no futebol com o Banfield da Argentina. Com apenas 66 partidas disputadas na primeira divisão do país, ele foi contratado pela Inter de Milão, segundo informações do jornal mexicano La Prensa.

A distância não impediu que Zanetti se mantivesse conectado às notícias relacionadas ao EZLN. Um dos motivos de identificação do lateral com o grupo se deu por ser originário do bairro El Docke, uma das áreas mais marginalizadas da região metropolitana de Buenos Aires.

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A relação entre Zanetti, Inter e EZLN começou em 2003. Um dirigente do clube, Bruno Bartolozzi, voltou de uma viagem ao México e contou para o lateral como sofriam as populações indígenas do país latino-americano. O cartola se solidarizou após o ataque de paramilitares na base zapatista de Zinacantán: "Quisemos restituir o que eles perderam com essa repressão".

Em 2004, Zanetti, que já colaborava na Argentina com instituições de defesa dos índios, começou uma coleta com os colegas de time —entre eles o brasileiro Adriano— e até mesmo jogadores do arquirrival Milan. Com o dinheiro e as doações em mão, uma delegação do time italiano viajou para o México.

Convencida por Zanetti, a Inter de Milão doou 5 mil euros de multas por atraso e mau comportamento para que o EZLN pudesse construir um hospital e uma escola no território de Chiapas. Também foram doados equipamentos esportivos (como bolas e chuteiras) e várias camisas da Inter com o número 4 - de Zanetti - nas costas, além de uma ambulância.

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Zanetti ainda enviou uma carta de próprio punho aos zapatistas. "Como vocês, acredito num mundo melhor, um mundo não globalizado, enriquecido pelas nossas diferenças culturais e pelos costumes de todos os povos. É por isso que nós vos queremos apoiar nesta luta, pelas vossas raízes e pelos vossos ideais".

O gesto de Zanetti foi aplaudido, elogiado e respondido pelo Subcomandante Marcos, histórico líder do movimento. Com a tradicional balaclava que caracteriza o grupo e um cachimbo na mão, ele agradeceu a ajuda: "Irmãos do time italiano, irmãos futebolistas, desejo o maior sucesso para suas campanhas, afinal, vocês têm consciência para construir um mundo com justiça e dignidade".

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