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Com reformas estagnadas, Petro propõe nova constituinte na Colômbia

FolhaPress 16/03/2024 09:31

BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propôs nesta sexta-feira (15) mudar a Constituição do país diante da negativa do Congresso, de maioria opositora, de avançar na aprovação de ambiciosas reformas propostas pelo governo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Se as instituições que hoje temos na Colômbia não são capazes de estarem à altura das reformas sociais que o povo decretou através de seu voto, então a Colômbia tem que ir para uma Assembleia Nacional Constituinte", disse Petro, durante uma mobilização de indígenas que o apoiam em Cali.

É a primeira vez que Petro sugere modificar a Carta Magna. Ele também pediu a seus eleitores que saíssem às ruas para pressionar o Congresso. "A Colômbia não tem que se ajoelhar, o triunfo popular de 2022 se respeita."

Após a fala do esquerdista, a oposição reagiu afirmando que Petro está determinado a passar por cima das instituições para aprovar as medidas.

No poder desde agosto de 2022, o presidente mira principalmente alterações no sistema de saúde, de pensões, prisional e trabalhista --esta última não passou em junho no primeiro debate na Câmara por falta de quórum.

SESC PICASSO

O congressista Hernán Cadavid, do partido de direita Centro Democrático, classificou os planos de Petro de "perigosos". "Ele fará o que for preciso para desestabilizar este país e se manter no poder", escreveu na rede social X.

No início de março, milhares protestaram nas maiores cidades colombianas contra as reformas propostas pelo governo e a insegurança crescente. Manifestantes na capital, Bogotá, gritavam "Fora, Petro".

"São reformas desastrosas para o nosso país que vão levar a Colômbia ao buraco. É por isso que estamos aqui", disse o deputado Miguel Polo Polo à Reuters durante o ato.

O governo quer reduzir a participação da iniciativa privada na prestação de serviços de saúde e no pagamento de pensões, além de ampliar benefícios a trabalhadores.

Em menos de dois anos de gestão, a ambição de Petro com as propostas tem sido proporcional aos percalços na aprovação delas.

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Petro começou o governo com o apoio da esquerda e de alguns partidos tradicionais no Congresso, mas viu a coalizão se desmanchar com o tempo. Com menos de nove meses no cargo, o presidente pediu a renúncia de todo seu gabinete e trocou ministros, nessa que foi a primeira grande crise de seu mandato e expôs as rachaduras da coalizão para a aprovação das reformas.

Há também escândalos no próprio governo. Áudios vazados supostamente de seu ex-chefe de campanha, Armando Benedetti, reclamando com a então chefe de gabinete, Laura Sarabia, de tratamento recebido e ameaçando revelar um suposto financiamento ilegal de campanha atingiu em cheio o governo.

Mais tarde, Benedetti disse que os áudios foram manipulados e pediu desculpas. Diante da confusão, no entanto, a Câmara Baixa (uma das casas do Parlamento colombiano) anunciou a suspensão dos debates sobre as reformas.

Nesse meio tempo, o filho de Petro, Nicolás, foi preso e acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito; a ex-mulher de Nicolás havia denunciado que a campanha de Petro fora financiada com dinheiro do narcotráfico.

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O presidente colombiano tenta ainda negociar com as guerrilhas que restam no país. Seu plano de "paz total" tem conversado com grupos como o Exército de Libertação Nacional (ELN), mas as negociações andam a passos lentos.

No fim de fevereiro, a guerrilha declarou um "congelamento" dos diálogos e falou em crise aberta nas tratativas, alegando que o acordo com o governo colombiano foi violado.

Sem dar detalhes, a guerrilha questionou alguns "diálogos regionais" no departamento (estado) de Nariño , anunciados em 18 de fevereiro pelo governador local.

"Tendo pactuado um processo nacional, [o governo] agora monta um diálogo regional em Nariño fora desse processo nacional e desconhecendo a delegação do ELN e a mesa onde participa a comunidade internacional", diz o texto. O conflito armado de décadas na Colômbia atingiu quase 10 milhões de pessoas, entre deslocados pela violência, mortos e feridos.

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