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Com negociação travada, Rússia avança no norte da Ucrânia

FolhaPress 09/04/2025 10:14

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com as negociações de paz pretendidas por Donald Trump emperradas, a Rússia iniciou um novo avanço contra duas regiões no norte da Ucrânia, Sumi e Kharkiv. De seu lado, Kiev diz estar em ação em uma nova área russa, Belgorodo, após ser virtualmente expulsa de Kursk.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"A ofensiva já começou [em Sumi e Kharkiv]. Por quase uma semana, nós vemos quase o dobro de ações ofensivas do inimigo nas áreas principais", disse o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Sirskii, ao site local Left Bank nesta quarta (9).

Segundo ele, o objetivo russo é o de formar uma zona tampão nas duas regiões, que são contíguas, para afastar as forças ucranianas de Kursk e Belgorodo, igualmente vizinhas do outro lado da fronteira.

A Rússia não comentou o caso. Segundo a reportagem ouviu de dois analistas militares russos, as ofensivas estão em curso, mas ainda é cedo para determinar seu objetivo. Um deles afirma que tomar a capital homônima de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, por ora é um desejo que carece de capacidades militares.

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Isso pode mudar, disse, no verão do Hemisfério Norte, no fim de junho. Há rumores na comunidade militar de Moscou de que o Vladimir Putin quer lançar um ataque maior visando ampliar seu domínio sobre o vizinho.

Kharkiv é um objeto da cobiça russa há tempos. Área russófona, ela foi o centro de produção de tanques da antiga União Soviética.

Como a Folha de S.Paulo mostrou em novembro, o Kremlin já patrocinou até a confecção de um livro infantil a ser distribuído em escolas da região à imagem do que ocorreu nas quatro áreas que anexou no leste e sul da Ucrânia, sugerindo um novo objetivo na guerra.

Já um observador político da situação em Moscou se disse preocupado. Segundo ele, a situação favorável oferecida por Trump, que alinhou-se à retórica russa sobre a guerra, fez Putin ser convencido por "falcões" de seu entorno a acelerar o passo militar do conflito, como ações em Zaporíjia (sul) sugerem.

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Só que fazer isso sem alguma mobilização, algo que o presidente rejeita devido à impopularidade que a mesma medida lhe trouxe no fim de 2022, traz o risco de fracasso, avalia esse observador.

Kharkiv e Sumi foram invadidas no começo da guerra, há três anos, e retomadas pelos ucranianos no fim daquele ano. No ano passado, a primeira foi objeto de nova incursão russa, que deixou uma pequena faixa de terra nas mãos do Kremlin. Já a segunda teve um trecho fronteiriço ocupado como parte da operação que expulsou os ucranianos da vizinha Kursk.

A Ucrânia também se mexe, até porque Sirskii está sob pressão. Em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian nesta quarta, um influente ex-comandante pediu a cabeça do general. Bohdan Krotevitch, da Brigada Azov, disse que as táticas atuais são suicidas e desconectadas da realidade de uma guerra com drones.

Segundo o presidente Volodimir Zelenski, há "ações militares" em território russo na região de Belgorodo. Os mesmos analistas moscovitas dizem que há registro de escaramuças, mas nada parecido com a invasão de Kursk em agosto do ano passado.

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Aquela operação, que Kiev vendeu como necessária para criar uma moeda de troca em negociações de paz, fracassou nesse sentido. Putin seguiu seu avanço lento no leste ucraniano, e por fim as tropas de Zelenski recuaram —de uma área do tamanho da cidade do Rio, hoje só controlam alguns postos fronteiriços.

Ainda assim, o Kremlin não quis comentar nesta manhã a ação em Belgorodo, o que amplia a margem para dúvidas acerca de sua magnitude.

Tudo isso ocorre em meio a um suposto cessar-fogo limitado, que não foi implementado de fato de lado a lado. Ele foi patrocinado pelos EUA e aceito pelos rivais, e deveria proteger a infraestrutura energética nos países de ataques.

Apesar dos impasses, as conversas continuam. Nesta quinta (10), delegações russa e americana se encontrarão em Istambul, mas em princípio o tema central é retomada de relações diplomáticas integrais entre os dois países.

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