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Chefe de gabinete de Trump diz a revista que ele tem 'personalidade de alcoólatra'

FolhaPress 16/12/2025 19:27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, disse em entrevista publicada nesta terça-feira (16) pela revista Vanity Fair que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem "personalidade de alcoólatra", que o vice, J. D. Vance, é um "teórico da conspiração", e que a secretária de Justiça, Pam Bondi, "fez burrada" ao lidar com o caso Jeffrey Epstein.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Chris Wipple, autor de um livro sobre chefes de gabinete da Casa Branca e jornalista que assina as reportagens na Vanity Fair, conversou com Wiles ao longo de todo o ano, um raro nível de acesso ao centro do poder nos EUA. Como o próprio repórter admite no texto, "a maioria das autoridades da Casa Branca só fala com a imprensa em off [isto é, de maneira reservada, sem autorizar que seu nome seja citado] ou muito ocasionalmente. Wiles, no entanto, respondeu abertamente quase todas as perguntas que lhe fiz".

Primeira mulher na história dos EUA a ocupar o cargo, Wiles é considerada a pessoa mais poderosa na Casa Branca depois de Trump. Tendo coordenado a campanha presidencial do republicano -"em momento algum cogitei a possibilidade de que perderíamos", disse-, ela foi vista como a arquiteta da sua vitória nas eleições de 2024 e diz ter a confiança total do presidente. Trump, depois da publicação da reportagem da Vanity Fair, disse não ter lido a matéria, mas afirmou que Wiles faz um "excelente trabalho".

SESC PICASSO

Muitas decisões do governo vem sendo tomadas na base do impulso de Trump, disse um membro do Partido Republicano à Vanity Fair. Para essa pessoa, a única força capaz de direcionar esse impulso é Wiles. A chefe de gabinete, cujo pai, um famoso locutor de jogos de futebol americano, era alcoólatra, afirma ter habilidade em lidar com homens de grande ego. "[Trump] tem uma personalidade de alcoólatra. Ele funciona acreditando que não há nada que ele não possa fazer. Nada, nada mesmo."

Sobre Vance, Wiles disse que o vice-presidente "é um teórico da conspiração faz dez anos", e que o político tem preocupação especial sobre o que a juventude do Partido Republicanos -considerada por alguns analistas como a ala mais radical da sigla- pensa sobre o governo e os principais problemas do país.

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No início do ano, quando o bilionário Elon Musk dominava as manchetes, Wiles disse a Wipple que o dono do X "age totalmente sozinho". "Ele é um usuário declarado de cetamina [Musk nega usar a droga]. Ele dorme durante o dia num saco de dormir no escritório dele. É um cara muito estranho, como todo gênio. Não me ajuda muito." Ainda assim, Wiles disse ter aprovado o trabalho de Musk quando ele desmantelou a Usaid, agência de ajuda externa dos EUA.

À Vanity Fair, Wiles também deu a entender que o objetivo da campanha militar de Trump na América Latina não é combater o tráfico de drogas, mas derrubar do poder o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. "[Trump] quer seguir explodindo barcos até que o Maduro peça água. E gente mais inteligente do que eu diz que é isso que vai acontecer", afirmou a chefe de gabinete. Um total de 95 pessoas já foram mortas pelos EUA em ataques a embarcações nas águas do Caribe e do Pacífico.

Sobre a campanha de deportações em massa de Trump e o caso do imigrante salvadorenho Kilmar Abrego Garcia, deportado por engano, Wiles disse: "Se alguém tem antecedentes criminais, se a gente tem certeza disso, provavelmente não tem problema mandar essa pessoa pra El Salvador, ou sei lá onde. Mas se há dúvida, precisamos checar".

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Wiles admitiu ainda que Trump está em campanha para "acertar contas" com inimigos políticos e pessoas que tentaram responsabilizá-lo pela invasão do Capitólio em 2021 e por sua tentativa de reverter a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020.

"Temos um entendimento de que o acerto de contas vai acabar em breve", disse a chefe de gabinete a Wipple no começo do ano. Quando isso não aconteceu, ela afirmou, em agosto: "Não acho que ele está em uma tour de vingança. Em alguns casos, pode parecer assim, e pode até haver certo elemento disso de vez em quando. Quem pode culpá-lo? Eu não culpo".

A aliada de Trump criticou a secretária de Justiça, Pam Bondi, pela forma como lidou com o caso Jeffrey Epstein, o abusador morto em 2019 que foi amigo de Trump e foi acusado de operar uma ampla rede de tráfico sexual. "Ela fez uma burrada e não percebeu que a base [de Trump] ligava muito pra essa história", disse Wiles à Vanity Fair.

Wipple também entrevistou outros membros do primeiro escalão do governo Trump, como Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o assessor especial da Casa Branca Stephen Miller, principal arquiteto da campanha de deportações. Rubio disse ao jornalista que Wiles é "provavelmente a única pessoa no mundo que consegue fazer o trabalho que faz".

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