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Centro das atenções com a prata, Isaquias Queiroz diverte medalhista de ouro

FolhaPress 09/08/2024 13:48

VAIRES-SUR-MARNE, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O tcheco Martin Fuksa estabeleceu a melhor marca olímpica da história da prova C1 1.000 m da canoagem de velocidade. Liderou a final de ponta a ponta no Estádio Náutico de Vaires-sur-Marne, disparou à frente da concorrência, assegurou o ouro e deixou os demais atletas disputando as outras duas medalhas. Então, viu um carnaval brasileiro nos arredores de Paris.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Havia muitos torcedores de amarelo nas arquibancadas na arena montada para os Jogos Olímpicos. Eles celebraram bastante a ótima recuperação de Isaquias Queiroz, que pulou da quinta para a segunda colocação nos 250 metros finais do percurso de um quilômetro. No pódio, o baiano olhou para o público e chorou.

"Eu vi a arquibancada lotada de brasileiros e pensei: ‘Cara, vieram me ver?’. Imaginava que teria um ali, outro aqui. Então, foi realmente uma emoção muito grande, porque realmente vi o carinho que todo brasileiro tem por mim. Poder ganhar esta medalha e fazer valer a pena para quem saiu do Brasil, de outro país, para me ver, é muito gratificante", afirmou.

O atleta, em seguida, interrompeu a entrevista que concedia ao lado da área de competição. Pediu desculpa aos jornalistas e foi até a parte de trás da arquibancada. Uma pequena multidão de brasileiros o aguardava e o recebeu com uma paródia do funk "Um Tapinha Não Dói", transformado em "Isaquias Queiroz".

SESC PICASSO

"Fui retribuir o carinho de toda a torcida brasileira. Fiquei emocionado, não tem como não ficar. A canoagem no Brasil não tem tanta tradição ainda, estamos construindo esse lugar. Então, fiquei muito feliz com a oportunidade de remar ali e ver todo o mundo torcendo, gritando meu nome. Isso incentiva demais", disse.

"Craziness", observou em inglês um dos funcionários que tentava conter a "doideira" brasileira. "É, isto é o Brasil", emendou em português um voluntário brasileiro dos Jogos. Foi necessário um esforço coletivo para retirar Queiroz da balbúrdia e levá-lo à entrevista oficial com os três medalhistas, parte do protocolo das competições.

CONTADOR - BONUS

Não houve, inicialmente, perguntas ao campeão Martin Fuksa ou ao dono do bronze, o moldovo Serghei Tarnovschi. Enquanto Queiroz reconstruía passo a passo sua trajetória rumo à prata, Fuksa se divertia com a situação e brincava com Tarnovschi. Dominada por jornalistas brasileiros, a entrevista teve até pergunta sobre a estratégia do baiano na bateria semifinal.

Então, um repórter da OBS, o serviço oficial de transmissão dos Jogos Olímpicos, sentiu-se obrigado a formular uma questão para Martin e outra para Serghei. Finalizada a sessão, Isaquias ainda foi cercado para imagens e últimas declarações, o que bloqueou a saída da sala. Fuksa riu mais uma vez, aguardou e, enfim, partiu discretamente com uma medalha de ouro no pescoço.

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