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Cardeal condenado por fraude e listado como não eleitor pelo Vaticano diz que vai participar do conclave

FolhaPress 23/04/2025 16:00

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O cardeal italiano Angelo Becciu, ex-assessor do papa Francisco condenado por fraude em 2023, voltou a atrair atenção internacional após afirmar que vai participar do conclave para eleger um novo pontífice apesar de a Santa Sé listá-lo como não eleitor.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O papa reconheceu minhas prerrogativas cardinalícias como intactas, visto que não houve vontade explícita de me excluir do conclave, nem um pedido explícito de minha renúncia por escrito. A lista publicada pela sala de imprensa não tem valor jurídico e deve ser considerada como tal", afirmou ele ao jornal italiano L'Unione Sarda, de acordo com texto publicado nesta terça-feira (22).

O painel do Colégio de Cardeais mantido pelo site do Vaticano indica que Becciu não é eleitor, embora tenha 76 anos —apenas os cardeais com menos de 80 anos têm direito a votar e se reunirão na Capela Sistina nos próximos dias para o conclave, nome dado à assembleia que vai eleger o próximo líder católico.

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A exclusão se deve à renúncia de Becciu em 2020, quando o cardeal, então um dos mais poderosos membros da Igreja, já enfrentava suspeitas relacionadas a um esquema envolvendo um negócio imobiliário em Londres.

"Hoje, quinta-feira, 24 de setembro, o Santo Padre aceitou a renúncia ao cargo de Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e aos direitos ligados ao cardinalato, apresentada por Sua Eminência cardeal Giovanni Angelo Becciu", afirmou a Santa Sé na noite daquele dia.

O episódio foi um golpe duro ao religioso. Como chefe de gabinete na Secretaria de Estado do Vaticano sob o papa Bento 16 e o papa Francisco, Becciu supervisionava os embaixadores do Vaticano e desempenhava um papel importante na administração da cúria, tendo acesso irrestrito ao pontífice.

Em outubro de 2019, no entanto, promotores do Vaticano ordenaram uma operação que respingaria nele. A medida ocorreu no âmbito de uma investigação sobre a compra de uma propriedade de € 350 milhões em Londres, adquirida em parte com dinheiro doado pelos fiéis ao fundo de São Pedro, destinado aos pobres.

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O próprio Francisco havia ordenado a investigação, embora tivesse dito no mês anterior que era mais responsável investir as doações do que "colocá-las em uma gaveta". "Você também pode comprar uma propriedade, alugá-la e depois vendê-la, mas em algo seguro, com todas as medidas de segurança para o bem das pessoas e de São Pedro", afirmou ele na ocasião.

A investigação, por fim, levou à renúncia do chefe de segurança do Vaticano, à remoção de vários funcionários financeiros do Vaticano e à prisão em junho de 2020 de um banqueiro italiano que atuou como intermediário da Santa Sé na transação imobiliária.

Em 2023, o Tribunal Penal do Vaticano condenou Becciu em primeira instância a cinco anos e meio de prisão, o que tornou o religioso a mais alta autoridade da Igreja Católica a ser julgada por uma corte criminal do país. O cardeal sempre alegou inocência.

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Os magistrados consideraram Becciu culpado por ter ordenado pagamentos que totalizaram US$ 200,5 milhões entre 2013 e 2014, oriundos dos fundos da Secretaria de Estado, para um fundo de investimento "altamente especulativo", liderado por Raffaele Mincione —financista que também foi condenado a cinco anos e meio de prisão e multa de € 8.000.

Além disso, o cardeal foi considerado culpado por pagar € 125 mil a uma cooperativa administrada por seu irmão, além de outros € 570 mil a um intermediário pela libertação de uma freira refém na África. O dinheiro nunca teria sido usado para esse objetivo.

O caso se tornou emblemático por mostrar a extensão das reformas internas promovidas por Francisco ao longo de seu papado. Após ser eleito, em 2013, o pontífice argentino morto na última segunda (21) alterou o sistema judicial para que bispos e cardeais pudessem ser julgados em tribunais laicos, e não apenas em instâncias religiosas.

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