Campeonato de moto para crianças é suspenso após morte de piloto de 9 anos em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A organização do campeonato de motovelocidade SuperBike Brasil suspendeu, por tempo indeterminado, a categoria disputada por crianças na competição. A medida foi tomada após a morte do piloto argentino Lorenzo Somaschini, de 9 anos, que sofreu uma queda no último dia 14 no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (26), os organizadores disseram que a suspensão da categoria Honda Jr. Cup busca analisar medidas que podem ser implementadas para elevar a segurança dos pilotos.

A criança morreu na curva do Pinheirinho, ao fazer uma manobra chamada de highside -quando o piloto imprime velocidade na moto-, durante os treinos. Ele estava sozinho naquele ponto do autódromo.

O piloto foi atendido no local por equipe médica em ambulância UTI. Na sequência, foi encaminhado para a sala de emergência do autódromo, onde houve a estabilização do seu quadro clínico.

Após esse procedimento, foi realizada a remoção, em UTI móvel, para o Hospital Geral da Pedreira, onde permaneceu até a madrugada de sábado (15), até ser feita a transferência para o Hospital Albert Einstein, onde morreu três dias depois.

A morte do argentino, que havia estreado no circuito dois meses antes, é investigada pelo 48° DP (Cidade Dutra). A Polícia Civil realizou perícia no autódromo. A SSP (Secretaria da Segurança Pública) evitou dar detalhes da investigação porque foi decretado segredo de Justiça no caso.

Segundo os organizadores da prova, a categoria que foi suspensa é uma espécie de escola de pilotagem, voltada a competidores com idades entre 8 e 18 anos. Ela é disputada há 13 anos.

As motos usadas são Honda CG 160 Titan, preparada para a pista, recebendo pedaleiras e guidão adequados ao tamanho de cada criança, além de carenagem. A velocidade pode passar de 130 km/h.

De acordo com o SuperBike Brasil, a categoria visa ensinar conceitos e técnicas de pilotagem, “além de auxiliar na formação do jovem com controle de emoções, medos, insegurança, disciplina e comunicação”.

Conforme a organização do campeonato, a Jr. Cup funciona como as demais categorias, com treinos livres na sexta-feira, classificatórios no sábado e corrida no domingo.

Sem a competição para crianças, a quinta etapa do campeonato está marcada para o dia 28 de julho com as demais categorias, novamente em Interlagos, onde outra corrida para motos, marcada para este fim de semana, foi barrada pela direção do autódromo.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, responsável pelo autódromo municipal, disse que o evento que aconteceria neste sábado (29) e domingo (30) foi cancelado por decisão do gestor de Interlagos, “a fim de realizar uma apuração interna”.

Nem a prefeitura nem a direção do autódromo explicaram se essa apuração se refere à morte da criança argentina. “A decisão é válida somente até o próximo final de semana e não afetará eventos programados a partir de julho no circuito”, diz a prefeitura.

Neste fim de semana aconteceria a terceira etapa do Moto1000GP, que teria 12 corridas. Em nota, a organização da prova, apontada como o campeonato brasileiro de motovelocidade, disse que foi surpreendida na terça-feira (25) com o cancelamento e que a estrutura para o evento estava em processo de montagem.

No texto, os organizadores dizem que, segundo a direção do autódromo, a suspensão ocorreu por recomendação da Polícia Civil, responsável pela investigação do acidente com o piloto argentino.

À reportagem a polícia negou que tenha pedido o cancelamento de qualquer corrida em Interlagos. A informação não foi confirmada pela prefeitura.

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