Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 13h29m
Vitória News — Um jornal de verdade
Esportes

Campeão na temporada 21, LeBron continua fazendo o que aprendeu na infância

FolhaPress 14/12/2023 16:39

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a bola do jogo nas mãos, LeBron James atraiu a marcação dos adversários e acionou Cam Reddish, que, livre na zona morta, errou. O Los Angeles Lakers perdeu para o Miami Heat, no mês passado, e mais uma vez o craque ouviu as habituais críticas de que não tem o instinto matador de um Kobe Bryant, de um Michael Jordan, afinal passou, não arremessou.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Reddish recebeu palavras de encorajamento de LeBron. No último sábado (9), recebeu também nova oportunidade para decidir e acertou a bola mais importante da vitória sobre o Indiana Pacers, na final do inaugural In-Season Tournament, campeonato dentro do campeonato criado pela NBA para gerar interesse na parte inicial do calendário da liga norte-americana de basquete.

Não é a maior glória de James, tetra na disputa que vale de verdade. Mas, perto de completar 39 anos, ele é campeão de novo. Em sua 21ª temporada na NBA, vem apresentando desempenho sem precedentes na história da modalidade para alguém com sua rodagem. E sempre do seu jeito, passando a bola.

"Eu faço a jogada certa todas as vezes."

O livro "LeBron", lançado recentemente no Brasil pela Objetiva, esmiúça o caminho do ala até esse pensamento. "E tudo leva a Akron, Ohio", resumiu à reportagem o norte-americano Jeff Benedict, biógrafo (não autorizado) daquele que, mesmo com tanta vontade de passar a bola, é o maior pontuador da história da NBA.

SESC PICASSO

"Ele sempre foi capaz de pontuar como quisesse", observou Benedict. "Mas, antes mesmo do ensino médio, ele aprendeu o valor de distribuir a bola aos companheiros que não são tão bons quanto ele, ou seja, basicamente todos. Ele percebeu que poderia elevar o nível dos colegas distribuindo o jogo e lhes dando oportunidade de pontuar, às vezes com facilidade. É uma lição incrível, uma lição de maturidade para se aprender como um adolescente. Muitos jogadores profissionais ainda não perceberam isso."

Essa lição foi passada por Dru Joyce II, o técnico mais influente no desenvolvimento de James. "Bron, se você passar a bola, todos vão querer jogar com você", disse o treinador. Chamado de Coach Dru, ele "tirou proveito da fome que LeBron sentia de amizade e de aceitação", relata Benedict em seu livro. "O que LeBron desejava com todas as forças era ser desejado."

É nesse ponto que a biografia, aclamada pela crítica nos Estados Unidos, mostra-se particularmente reveladora. Não por apresentar informações bombásticas e inéditas -o autor tomou a decisão de não tentar descobrir a identidade do pai do craque, até hoje um mistério. Mas por desenhar de maneira clara e rica em detalhes como se formou a personalidade de James.

CONTADOR - BONUS

De novo, tudo leva a Akron, no estado norte-americano de Ohio, onde Gloria deu à luz LeBron Raymone James e se tornou mãe aos 16 anos. Era uma adolescente pobre, com seus problemas, apesar dos quais seu filho lhe é extremamente grato. Quando lançou um livro de memórias sobre o período no ensino médio, o jogador escreveu a seguinte dedicatória: "Para minha mãe, sem a qual eu não estaria aqui hoje".

A biografia assinada por Benedict tem no segundo capítulo, "Glo e Bron", seu conteúdo mais denso. O pequeno LeBron ficava sozinho com frequência, às vezes por noites seguidas.

"Rezando para que a mãe voltasse logo, o menino enfim adormeceu, até que foi despertado por sons com os quais estava familiarizado. Homens gritando. Uma mulher implorando. Tiros. Pessoas correndo. Sirenes. Portas batendo. Mais gritaria. Mais sirenes. O menino não precisava de imaginação fértil para visualizar o perigo ao seu redor. Em muitas ocasiões ele já tinha visto coisas que nenhuma criança deveria ver."

Foi a impressionante capacidade atlética que deu a James a possibilidade de deixar esse cenário, chamando a atenção inicialmente no futebol americano, depois no basquetebol. A ponto de um treinador, Frank Walker, convidá-lo a morar com sua família. Uma família estruturada, com regras, deveres. E companhia.

Gloria, com dor no coração, disse sim. E o garoto adorou.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"O LeBron teve um ambiente incrivelmente instável quando era pequeno. Ele e a mãe dele mudavam de um lugar para outro, dormiam no sofá dos outros", disse Benedict. "E, como um subproduto de ter um dom atlético excepcional, ele foi apresentado a alguns homens muito bons na comunidade, envolvidos com esporte. Ele teve sorte, porque não necessariamente os treinadores de juvenis são grandes exemplos de bons pais, bons maridos."

Frank Walker, o Big Frankie, era. Coach Dru, em cuja casa James passava cada vez mais tempo, também. O menino se enxergava em uma de suas séries favoritas, "Fresh Prince of Bel-Air" (no Brasil, "Um Maluco no Pedaço"), finalmente incluído dentro do que se considerava uma boa estrutura familiar.

Nenhuma palavra é tão importante no léxico de LeBron quanto "confiança". Ela ajuda a explicar por que seu círculo íntimo é tão restrito, formado por amigos do ensino médio que são também seus principais parceiros comerciais. Por que está até hoje com Savannah, sua namorada desde os 16 anos. Por que é desconfiado com jornalistas, especialmente por reportagens que retrataram sua mãe de maneira pouco sensível.

Explica também por que ele continua a passar a bola para Cam Reddish. Por que, em sua 21ª temporada, aparece como real candidato ao prêmio de melhor jogador da NBA. Por que é grato a Gloria, até mesmo pelo doloroso gesto de entregá-lo a outra família.

"Tudo leva a Akron, Ohio."

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas