Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 13h21m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Câmara dos EUA vota liberação de materiais sobre Epstein após recuo de Trump

FolhaPress 18/11/2025 11:01

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide nesta terça-feira (18) se aprova a divulgação dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein, levando em frente um assunto que tem sido uma pedra no sapato do presidente Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Dois dias após Trump abandonar sua oposição à divulgação, é esperado que os deputados aprovem a medida. Depois, a resolução, que exige a divulgação de todos os materiais não confidenciais sobre Epstein, vai ao Senado, onde ainda não é certo que ela será aprovada —as duas Casas do Congresso são atualmente controladas pelo Partido Republicano.

A sessão na Câmara está prevista para começar às 10h (12h de Brasília), mas os primeiros votos sobre a pauta da Casa, que não tem apenas o caso Epstein sob análise, devem começar apenas às 14h (16h de Brasília).

O presidente americano, cujas relações com Epstein têm sido exploradas por críticos e apoiadores, há muito tempo alimenta teorias conspiratórias sobre o financista que cultivou muitos amigos ricos e poderosos —Epstein foi condenado por crimes sexuais na justiça estadual da Flórida e, preso por acusações semelhantes na esfera federal em 2019, morreu na prisão.

SESC PICASSO

Desde que o republicano retornou ao poder, o assunto se tornou um raro ponto fraco para ele, em particular para alguns de seus apoiadores mais radicais, que têm se mostrado descontentes com declarações de Trump e atos do governo sobre o caso.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos de outubro descobriu que apenas 4 em cada 10 republicanos aprovam a forma como Trump lida com o assunto, bem abaixo dos 9 em cada 10 que aprovam seu desempenho geral.

Trump afirma que nunca teve nenhuma ligação com os supostos crimes de Epstein e tem se referido ao assunto como uma "farsa democrata", usada para desviar o foco do que seriam pontos positivos de seu governo e falhas da oposição.

A campanha parlamentar pela divulgação dos materiais sobre o financista foi liderada pelo republicano Thomas Massie, o que indica a dificuldade do governo de resistir à medida. Massie coletou 218 assinaturas de colegas da Câmara para uma petição para forçar a votação da medida, algo que vinha sofrendo resistência do presidente da Casa, o também republicano Mike Johnson.

CONTADOR - BONUS

O fato de Trump anteriormente se opor à divulgação do material azedou as relações com uma de suas mais fortes apoiadoras no Congresso, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que criticou duramente mais de uma vez o Departamento de Justiça por não divulgar mais detalhes sobre Epstein.

A súbita reviravolta de Trump veio no domingo (16), quando ele afirmou: "Os republicanos da Câmara deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder."

O principal democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, teve outra avaliação. "Donald Trump parece ter se acovardado no escândalo Epstein. Ele cedeu. É uma rendição completa e total", disse ele em uma entrevista coletiva na segunda-feira (17).

Johnson disse aos repórteres que ele e Trump estavam preocupados em proteger as vítimas de Epstein de exposição pública indesejada. "Não tenho certeza se a liberação faz isso, e isso é parte do problema", disse o republicano na segunda-feira. Os apoiadores da medida dizem que as preocupações de Johnson são infundadas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Há dúvidas, no entanto, sobre o alcance real da divulgação dos materiais, porque a medida permite ao Departamento de Justiça manter sob sigilo documentos sujeitos a investigações —ao mesmo tempo, Trump pediu ao departamento para investigar a relação de Epstein com importantes nomes democratas, como o ex-presidente Bill Clinton.

"Uma vez que há uma investigação aberta, isso realmente acaba restringindo muitas coisas", disse a representante democrata Adelita Grijalva, cuja assinatura da petição de Massie na semana passada forçou a votação no plenário. "Ouvi de todos os lados, de ambos os partidos, questionamentos sobre o quão completa serão as informações divulgadas", disse ela à agência Reuters.

Epstein se declarou culpado de uma acusação estadual na Flórida em 2008 e cumpriu 13 meses de prisão. O Departamento de Justiça dos EUA, em 2019, o acusou de tráfico sexual de menores. Epstein se declarou inocente dessas acusações e morreu na prisão antes do julgamento, no que foi considerado um suicídio.

Emails divulgados na semana passada por um comitê da Câmara mostraram que o financista acreditava que Trump "sabia sobre as garotas", embora não estivesse claro o que isso significava. A Casa Branca disse que os emails divulgados não continham prova de irregularidades por parte de Trump.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas