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Brasileira vira embaixadora da NFL e é destaque em novo esporte olímpico

FolhaPress 05/09/2024 11:55

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Há sete anos, Gabriela Bankhardt dava os primeiros passos de sua trajetória no flag football, modalidade "prima" do futebol americano que estará nas próximas Olimpíadas. nesta quinta-feira (5), ela é a primeira atleta brasileira a ser eleita embaixadora da NFL e sonha em fazer o esporte crescer tendo no horizonte os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

PIONEIRA BRASILEIRA EM PROGRAMA DA NFL

Gabi Bank, como é conhecida, entrou para o rol dos seletos atletas que ocupam o cargo de embaixador global da NFL e da Ifaf, a federação internacional da modalidade. O anúncio foi feito durante o último Mundial, disputado na Finlândia, e em meio a um jogo do Brasil, fazendo com que o reconhecimento logo ecoasse na arquibancada: "Vai, embaixadora!".

Ela conheceu o flag football em 2017, quando ainda cursava jornalismo, pegou gosto pelo esporte e nunca mais se afastou. Teve seu primeiro contato com a seleção brasileira feminina no ano seguinte e, desde então, é convocada e disputa competições internacionais. A recebedora de 28 anos se tornou, inclusive, uma das capitãs do time. É campeã sul-americana e tem dois Mundiais na bagagem, além de ter disputado o Intercontinental no ano passado.

Ainda se adaptando à nova função, Bank já agarrou a oportunidade com a missão de disseminar o flag no país. Ela quer "furar a bolha", espalhar a modalidade ainda mais por todo o território nacional e que o Brasil ocupe cada vez mais espaços no meio internacional. Seus primeiros compromissos oficiais como embaixadora estão sendo nas atividades durante a semana do São Paulo Game da NFL, que será realizado na noite desta sexta (6), na Neo Química Arena.

SESC PICASSO

Está sendo uma excelente oportunidade. Ainda estou descobrindo o tamanho e a relevância que é ser embaixadora, mas casa muito com o que eu quero para o flag, que é que ele expanda e que a gente fure essa bolha.

"Que a gente consiga fazer com que o Brasil inteiro conheça o flag, e a gente possa realmente aproveitar esse boom, seja da NFL, seja do jogo no Brasil, seja do fato de virarmos olímpicos, para que a gente possa realmente expandir. Acho que é muito representativo, eu fico bem feliz de poder ocupar esse espaço e espero poder representar muito bem o nosso flag", diz Gabi Bankà reportagem.

GLAMOUR VS REALIDADE DO ESPORTE

Apesar de ser embaixadora da NFL e de estar na seleção, Bank rala como outros atletas de flag no Brasil e não é remunerada. A modalidade ainda é amadora e caminha lentamente, mesmo com a chegada de novos holofotes, rumo à profissionalização.

Ela trabalha como analista de comunicação e branding para se sustentar no esporte. O emprego em uma empresa de previdência privada é flexível e dá a ela a possibilidade de ajustar seus horários para conciliar treinos e demais atividades da seleção. "Em primeiro lugar vem a minha carreira profissional porque sem ela eu não me mantenho no flag, infelizmente. Mas em qualquer momento que eu não esteja trabalhando eu estou nessa jornada de atleta", contou.

CONTADOR - BONUS

Natural de Santa Catarina, ela joga por seu time de Florianópolis e precisou também buscar uma equipe em São Paulo. Com somente uma competição nacional, que tem duas etapas e é disputada apenas em dois finais de semana, e poucos torneios estaduais atuando com o Desterro Atlantis, a atleta buscou se juntar ao Caniballs para estar em mais competições.

Costuma ir uma vez por mês à capital paulista, desembolsando cerca de R$ 500 a cada viagem —que chega a durar até 14h dependendo da locomoção. Cada participação nos campeonatos internacionais ultrapassa a casa dos R$ 5 mil.

Além da vida profissional e de atleta, também divide o tempo com a particular. Ela está noiva de um atleta, que atua na mesma cidade e pela seleção, e que dá a ela todo o suporte. No entanto, a família acaba "pagando o preço" da dedicação ao esporte. "Às vezes essa parte acaba ficando um pouco prejudicada", admitiu.

Eu estou desde 2017 investindo muito tempo, muito dinheiro. E pela primeira vez, algumas coisas estão voltando e isso é muito bom. Muito gratificante também porque, de certa forma, até pra eles [familiares] eu consigo dizer: 'Isso está valendo a pena'.

Talvez eu não estivesse naquele aniversário, no Dia dos Pais, eu sei, é triste, mas às vezes essas coisas valem a pena porque a gente almeja uma coisa muito maior. A gente está em busca de grandes colocações, de Olimpíadas, e a gente sabe que pra estar lá temos que abdicar de coisas agora.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Os desafios, no entanto, são recompensados com o reconhecimento crescente e pela esperança de uma nova realidade para o flag. A visibilidade trazida pelo jogo da NFL no Brasil, o primeiro da Liga no Hemisfério Sul, e pela modalidade ter se tornado olímpica jogam à favor. E Bank tem como um novo objetivo pessoal fazer de tudo para ajudar nessa jornada.

É surreal. Tanto a instituição NFL quanto essas primeiras conquistas, como o primeiro jogo no Brasil, com certeza estão abrindo caminhos para que a gente realmente possa mostrar o flag para mais pessoas. E que a gente consiga mais: a gente precisa de incentivo, de apoio, de patrocínio para que realmente possamos impulsionar a nossa seleção e estar nas Olimpíadas em 2028. Gabi Bank

Curiosidade: O que é o flag football? Modalidade adaptada do futebol americano, mais dinâmica e com contato e dimensões reduzidos (cinco contra cinco praticantes em um campo menor). Utiliza-se um cinto com duas fitas (flags) em vez de equipamentos de proteção como capacete e ombreira. A jogada é interrompida quando uma dessas fitas é retirada, substituindo a necessidade do "choque" para derrubar o adversário. O touchdown continua valendo seis pontos, mas não há field goals (chutes), e sim conversões para um ou dois pontos em marcas pré-estabelecidas. Para efeito apenas lúdico, é como se fosse o futsal do futebol de campo

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