Os governos do Brasil, do México e da Colômbia divulgaram uma declaração conjunta em que defendem a adoção de um cessar-fogo no Oriente Médio e a retomada do diálogo diplomático para resolver as divergências entre os países envolvidos no conflito.
No comunicado, os três países afirmam que é indispensável interromper imediatamente as hostilidades para permitir avanços nas negociações.
“Consideramos indispensável que, no atual conflito no Oriente Médio, seja declarado um cessar-fogo imediato, a fim de abrir espaços efetivos para o diálogo e a negociação”, diz o texto divulgado pelos governos.
A nota também reforça que disputas entre Estados devem ser resolvidas por meio da diplomacia internacional e da solução pacífica de controvérsias, princípios previstos nas normas que regem as relações internacionais.
Os três países latino-americanos também manifestaram disposição para colaborar com iniciativas voltadas à construção de confiança e ao avanço de uma solução política negociada para o conflito.
Na mesma semana, ao comentar os impactos da guerra no mercado internacional de petróleo e no preço do diesel no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os conflitos armados em andamento no mundo e classificou as guerras como uma “irresponsabilidade”.
Contexto do conflito
As tensões na região se intensificaram após novos ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra alvos no Irã, em meio a negociações relacionadas ao programa nuclear e balístico iraniano.
O acordo internacional firmado em 2015 previa mecanismos de inspeção do programa nuclear do Irã por organismos internacionais. O entendimento foi abandonado pelos Estados Unidos durante o primeiro mandato do então presidente Donald Trump.
Israel e os Estados Unidos acusam o governo iraniano de tentar desenvolver armas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e declara que aceita inspeções internacionais.
Já Israel é frequentemente apontado por analistas internacionais como possuidor de armas nucleares, embora o país não confirme oficialmente a existência desse arsenal e não permita inspeções externas em suas instalações nucleares.
As tensões atuais também estão relacionadas às exigências feitas pelos Estados Unidos para que o Irã desmantele parte de seu programa nuclear, interrompa o desenvolvimento de mísseis balísticos de longo alcance e suspenda apoio a grupos armados que atuam contra Israel na região.
Histórico de tensões
O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel tem raízes históricas que remontam à Revolução Islâmica de 1979, quando a monarquia iraniana aliada de Washington foi derrubada e substituída pelo atual regime político do país.
Desde então, o Irã tem sido alvo de sanções econômicas internacionais, impostas principalmente pelos Estados Unidos e por aliados, com o objetivo de pressionar o governo iraniano em relação ao seu programa nuclear e à sua atuação geopolítica no Oriente Médio.