Brasil ignora pedido da Suíça e mantém plano de enviar observadora em conferência de paz sobre Ucrânia

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ignorou um pedido da Suíça e manteve a decisão de enviar apenas uma observadora para a conferência de paz na Ucrânia que o governo suíço organiza neste fim de semana, em Lucerna.

Organizadores do evento a pedido do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, os suíços vinham pedindo ao governo Lula para que o nível de participação do Brasil fosse elevado ao menos para o de chanceler ou para o de assessor internacional do Planalto. Os cargos são ocupados por Mauro Vieira e Celso Amorim, respectivamente.

A diplomata escalada para ser observadora do Brasil no evento é a embaixadora do país em Berna, Claudia Buzzi.

A avaliação no governo Lula é que a conferência será pouco efetiva, uma vez que a Rússia não estará presente. Moscou disse, em maio, não ver sentido na iniciativa.

O tema constou mais uma vez na agenda da reunião de Lula com a presidente da Suíça, Viola Amherd, nesta quinta-feira (13), em Genebra. Lula está na cidade para participar da reunião anual da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Após a conversa, o Palácio do Planalto divulgou nota: “O presidente cumprimentou a Suíça pela organização da conferência, mas reiterou a posição do Brasil de que uma solução para a crise demandaria a participação de representantes dos dois lados do conflito. E reiterou o interesse do Brasil de participar e ajudar a viabilizar discussões de paz entre as duas partes.”

Em artigo publicado na Folha, Amorim afirmou que a conferência da Suíça ocorrerá num formato similar ao de outros fóruns realizados recentemente em que participaram principalmente países do G7, sem a Rússia e com “limitado engajamento da China”.

“Independentemente das intenções, a não participação de uma das partes beligerantes permite antecipar que não será possível dar início a um real processo de negociação com base nessa plataforma”, escreveu.

A conferência na Suíça terá dezenas de líderes internacionais, entre eles a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz. A principal liderança do chamado Sul Global deve ser o premiê da Índia, Nerandra Modi.

Lula defende negociações de paz que envolvam os dois lados do conflito, em linha com documento assinado recentemente por Amorim e o chanceler chinês, Wang Yi.

Durante viagem a Pequim, Wang e Amorim divulgaram um documento chamado “Entendimentos Comuns entre o Brasil e a China sobre uma Resolução Política para a Crise na Ucrânia”. O texto apresentou seis pontos que, segundo os dois países, deveriam ser observados para a construção de um processo de paz efetivo na Ucrânia.

Entre os pontos estão a não escalada dos combates, o aumento da assistência humanitária e a rejeição ao uso de armas de destruição em massa, principalmente as nucleares. Brasil e China também disseram no documento que apoiam a realização de uma conferência internacional de paz “em um momento apropriado” e que seja reconhecida por Rússia e Ucrânia.

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