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Bogotá propõe banho a dois e 'pular' domingo para economizar água ante seca na Colômbia

FolhaPress 12/04/2024 12:43

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A seca na Colômbia fez o prefeito de Bogotá, Carlos Fernando Galán, sugerir que os moradores da capital deixem de tomar banho por um dia caso não saiam de casa e entrem no chuveiro em casal para economizar água.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Se, no domingo, você não sair de casa, aproveite e não tome banho. Aguente em casa durante o fim de semana e, na segunda, tome banho", afirmou o político à emissora Noticias Caracol nesta quarta-feira (10). Durante a entrevista, ele também disse ter diminuído para três minutos o tempo no chuveiro. "Tomem banho em casal. Trata-se de um exercício pedagógico de economia de água, não de outras coisas."

Com seus pântanos, rios e lagoas, a Colômbia é considerada uma potência hídrica. A falta de chuvas das últimas semanas, porém, fez Bogotá e outros onze municípios adotarem a partir desta quinta-feira (11), racionamentos que afetarão cerca de 10 milhões de pessoas. Os bairros vão ficar sem água por 24 horas a cada 10 dias, dependendo do turno que lhes corresponda.

"A situação é crítica", reconhece Galán, que não descarta a manutenção da situação de emergência até o final do ano.

SESC PICASSO

O culpado é o fenômeno climático El Niño, que desde o início do ano tem causado estragos na Colômbia, especialmente na região andina central. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o local atingiu "temperaturas incomuns" de até 24 graus Celsius. Em janeiro, a seca causou centenas de incêndios que consumiram mais de 17 mil hectares de floresta.

Nesta quinta, um caminhão-pipa distribui água nas íngremes ruas de La Calera, cidade nos arredores de Bogotá que fornece 70% da água que chega a capital. Nos últimos dias, a queda no nível de água de suas represas revelou ilhas de terra no que é, segundo as autoridades, o pior momento das barragens desde a década de 1980, quando foram construídas.

Os 36 mil habitantes desse município sofrem cortes no abastecimento de água desde fevereiro, quando a Prefeitura ordenou uma restrição de quatro horas diárias.

CONTADOR - BONUS

Alertada pela buzina do carro, Clara Escobar saiu de casa com baldes para garantir alguns litros de água do caminhão. "Há coisas que não podemos fazer, como lavar o carro, o animal de estimação, os sapatos", diz a designer gráfica de 36 anos. "A limpeza da casa não é feita com tanta frequência."

O prefeito de La Calera, Juan Carlos Hernández, descreve como o riacho de San Lorenzo, fonte de água do município, secou. "O fluxo diminuiu: de 23 litros por segundo que tínhamos a possibilidade de captar, baixamos para nove, dez litros por segundo", afirma.

Após o início do racionamento, a ministra do Meio Ambiente, Susana Muhamad, afirmou que a seca se deve a uma "nova realidade climática" e a condições às quais a cidade e a região precisam se adaptar. Segundo ela, só no final de abril ou início de maio as chuvas aliviarão a emergência nas represas.

Na capital vários restaurantes escolheram lavar pratos com água recolhida em baldes nesta quinta. Nos dias anteriores ao racionamento, a empresa pública de abastecimento registrou um aumento no consumo e alertou que, se a tendência se mantiver ou aumentar, adotarão medidas mais restritivas quando avaliarem os resultados, dentro de duas semanas.

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Para o presidente colombiano, Gustavo Petro, Bogotá está sendo mais afetada pela onda de calor do que a árida ponta norte do país.

"Nossa previsão sobre a crise climática (...) nos fez acreditar que seria La Guajira [departamento no norte] o ponto mais crítico. Hoje em dia está em Bogotá", escreveu o presidente na rede social X. "Haverá secas piores do que a que estamos enfrentando."

Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU para questões do clima, indicam que eventos climáticos extremos como secas, enchentes, deslizamentos de terra, tempestades e incêndios mais do que triplicaram ao longo dos últimos 50 anos em consequência do aquecimento global.

Outro órgão ligado à ONU, o IPCC (Painel Intergovernamental para a Mudança Climática), já afirmou em relatório que hoje é inequívoco que parte dessas mudanças foi causada pela ação humana.

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