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Boca de urna indica vitória folgada de partido de Modi nas eleições da Índia

FolhaPress 01/06/2024 17:12

GORAKHPUR, ÍNDIA (FOLHAPRESS) - A aliança encabeçada pelo partido do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o BJP (Partido do Povo Indiano), deve vencer as eleições com folga e aumentar a maioria na Câmara Baixa da Índia, a Lok Sabha, indicam as principais pesquisas de boca de urna divulgadas neste sábado (1º), após a última fase de votação no país. Os resultados oficiais serão anunciados em 4 de junho.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em 2019, o BJP conquistou 303 dos 543 assentos no Parlamento --são necessários 272 para a maioria simples. Considerando a NDA, coalizão liderada pelo BJP, foram 352 votos. Desta vez, a aliança do premiê deve conquistar de 353 a 401, segundo as pesquisas de boca de urna. O India, bloco da oposição liderado pelo partido do Congresso, conquistou 91 cadeiras em 2019, e estima-se que terá de 125 a 182 desta vez.

Com isso, Modi, que está no poder desde 2014, conquistaria seu terceiro mandato com endosso enfático dos eleitores a sua agenda que combina nacionalismo hindu e tendências autocráticas com investimento em infraestrutura e ampliação de programas sociais.

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"Se o primeiro-ministro Modi ganhar pela terceira vez como indicam as pesquisas, será um feito sem precedentes", disse à Folha de S.Paulo o consultor político Apurv Kumar Mishra, que faz parte do Conselho de Assessores Econômicos do primeiro-ministro.

"Ele será o primeiro premiê depois de Nehru [Jawaharlal Nehru, que era premiê na declaração de independência do país, em 1947] a ganhar três mandatos consecutivos; seria um apoio claro à estabilidade e daria a ele capital político para implementar sua meta de tornar a Índia um país desenvolvido até 2047."

A oposição, no entanto, ainda não está pronta para aceitar a provável derrota. O presidente do partido do Congresso, Mallikarjun Kharge, disse que as pesquisas de boca de urna são sempre favoráveis ao BJP e que o bloco India vai obter ao menos 295 assentos, segundo "pesquisas de feedback do povo".

"Seria temerário acreditar nas pesquisas conduzidas pelos canais e TVs mainstream, já que a maioria deles é capacho do regime Modi e depende dele para seu faturamento. Eles nunca iriam projetar resultados desfavoráveis ao governo", disse Badri Rao, professor de Estudos Asiáticos na Universidade de Kettering.

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De fato, pesquisas de boca de urna erraram em 2019 e em 2014 -nas duas eleições, o BJP obteve um número muito maior de assentos do que o previsto.

Em declaração, Modi criticou a aliança da oposição, que chamou de oportunista, e afirmou que os eleitores rejeitaram "as políticas retrógradas" da aliança India.

As pesquisas indicavam que o BJP perderia alguns assentos nos estados do Norte, mas faria avanços significativos no sul, onde é historicamente mais fraco, e no leste do país.

Rao ainda acha que o BJP não conquistará mais assentos do que em 2019 por causa da alta taxa de desemprego no país (8,1% em abril; entre jovens supera os 40%) e a inflação (que está em 5%, mas a de alimentos supera 8%).

Modi cruzou o país em mais de 200 comícios para fazer campanha por candidatos ao Parlamento em cada distrito. O primeiro-ministro apostou na retórica hinduísta e fez ataques diretos aos muçulmanos, algo que costumava terceirizar para aliados.

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Ele se referiu à minoria muçulmana, que corresponde a 14% da população frente aos 80% de hindus, usando expressões como infiltrados. Em comício, dirigiu-se a hindus dizendo que a oposição queria "reunir a sua riqueza e distribuir entre aqueles que têm mais filhos".

O partido do Congresso criticou a Comissão Eleitoral da Índia, acusando-a de omissão em relação ao uso do discurso de ódio por Modi, que é proibido pelas regras eleitorais.

A oposição teve alguns de seus líderes presos, entre eles Arvind Kejriwal, governador de Nova Déli que é do partido AAP (Partido Aam Aadmi), e o partido do Congresso teve seus fundos bloqueados pelo governo.

Oposicionistas tentaram pintar Modi como protetor das elites -ele é próximo de megaempresários como os Ambani e Adani- e afirmaram que seu partido pretendia mudar a Constituição para reduzir as cotas para as castas mais discriminadas, como os dalits e os OBC (outras castas prejudicadas).

Se as pesquisas se confirmarem, não foi suficiente para brecar o avanço do BJP.

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