Bares se reconstroem no 4º Distrito, novo polo cervejeiro e gastronômico de Porto Alegre

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – “Se você REconstruir, eles virão!”, diz o slogan da cervejaria artesanal 4Beer, com ênfase no “re” da reconstrução. Para ajudar nessa meta, os quatro sócios criaram um plano de investimento e um financiamento coletivo para sua clientela. A fábrica, que conta com espaço de shows e pub com 41 torneiras de chopes artesanais, reabriu na última sexta (21).

Já o Patrimônio, atualmente o bar sensação da capital gaúcha, fez sua reabertura uma semana antes (no dia 14). Sua fila, de normalmente 1.000 pessoas, foi estendida até as 1.600 cabeças, sedentas para ouvir pagode e sertanejo ao vivo e, claro, paquerar.

O Ofertório, um gastrobar mais intimista, destrancou suas portas já em 31 de maio, após limpeza detalhadíssima “porque a água de enchente entra em todos os cantinhos”. Criou um pequeno menu com preços reduzidos chamado Pratos Reconstrução, que hoje é responsável por 70% de seu faturamento.

Em comum, essas três casas têm o endereço: estão localizadas no chamado 4º Distrito, o novo polo cervejeiro e gastronômico na região central de Porto Alegre, que ficou embaixo d’água por 21 dias e cujos negócios vão sendo retomados nas últimas semanas. Em geral, a água atingiu cerca de 1,5 metro nesses empreendimentos.

O 4º Distrito explodiu na capital do Rio Grande do Sul após o fim da quarentena da pandemia. Rodrigo Guimarães e Andrea Venzon, por exemplo, abriram o Ofertório (rua Ernesto da Fontoura, 350) há três anos. Na ocasião, havia, talvez, 10 bares no 4º Distrito. Hoje, Guimarães já contabiliza 52.

A região, cujo nome vem de uma antiga divisão da cidade em distritos, sofria a conhecida situação de centros industriais em grandes cidades do Brasil: abandono, fuga das empresas, degradação, tráfico, prostituição.

“Uma nova geração chegou forte nesse bairro inusitado, repleto de casarões antigos, fábricas, galpões, ruas de paralelepípedos e sem muita verticalização ou moradores que se incomodassem com barulho”, diz Guimarães.

“Aqui é assim: uma distribuidora de compensado ao lado de um bar de boliche. Um bar temático da Alice no País das Maravilhas e uma rua [Voluntários da Pátria] próxima famosa como ponto de prostituição.”

Guimarães gosta tanto do bairro que criou um perfil no Instagram para listar as casas da vizinhança e customizou uma kombi para levar seus clientes para conhecer outros bares. “Faço propaganda para a concorrência”, diverte-se o empresário.

Com um prejuízo de cerca de R$ 150 mil, mas com a cozinha intacta, por estar no segundo andar, Guimarães e Venzon retomaram o local vendendo marmitas. Depois, criaram os Pratos Reconstrução, cujos preços rondam os R$ 30. E, aos poucos, estão vendo os clientes voltarem em busca do já famoso parmegiana de filé mignon (R$ 51, com dois acompanhamentos).

A fábrica de cerveja 4Beer (avenida Polônia, 200) foi uma das primeiras a se instalar na região, ainda em 2016. Funcionando também como pub, o negócio deu tão certo que hoje a empresa tem outros quatro endereços próprios e mais três franquias. Todos são atendidos pela fábrica que fica no 4º Distrito, capaz de produzir 30 mil litros mensais de cerveja.

“Quando abrimos, há oito anos, colocamos aqui um neon, inspirado no filme ‘Campo dos Sonhos’, que diz ‘Se você construir, eles virão’. Esse neon acabou inspirando vários empresários a empreenderem no 4º Distrito e hoje temos ele em todas nossas unidades. Assim, lançamos agora a campanha ‘Se você REconstruir, eles virão'”, conta Caio Rodrigues de Santi, um dos quatro sócios da empresa.

A reconstrução, aqui, passa por um plano no qual os clientes que quiserem ajudar investem a partir de R$ 5.000 e recebem de volta, em 36 meses, com o acréscimo da renda fixa. Outra modalidade foi o crowdfunding em que o cliente paga o valor que quiser agora e recebe de volta com 10% a mais para consumo no local.

“Fizemos essas ações porque sabíamos que seria difícil acessar os bancos”, diz Caio. Segundo ele, o retorno está acima do esperado. A empresa recebeu mais de R$ 500 mil no plano de investimento, mesmo valor do prejuízo imediato, e cerca de R$ 14 mil no financiamento coletivo.

Recebendo cerca de 4.000 pessoas por semana, o Patrimônio (rua Conselheiro Camargo, 212) —nascido em 2020, onde antes funcionava uma fábrica de ração—, amargou pelo menos R$ 1 milhão de prejuízo material.

A volta da clientela na semana passada, porém, reavivou o sorriso de Gabriela Genero Granella, sócia ao lado da irmã no empreendimento, que ficou 45 dias fechado, sendo 25 para limpeza.

“Fomos criadas no bairro”, ela conta. “A fábrica dos nossos pais era ali na esquina.”

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