Avibras e grupo da Austrália renovam negociação após interesse da China por armas do Brasil

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Principal fabricante no Brasil de sistemas pesados de defesa, a Avibras Aeroespacial prorrogou até o final de julho a negociação sobre uma possível venda para o grupo australiano DefendTex.

O novo prazo foi definido em um contrato assinado pelas duas partes na última semana. O documento prevê que, durante o período, as empresas vão trocar informações para comprovar a capacidade financeira e industrial para fechar o negócio.

O contrato inicial era de março e previa o fim das tratativas em junho. A DefendTex, porém, enfrenta dificuldades para conseguir financiamento de US$ 70 milhões com bancos australianos.

A prorrogação foi feita após a estatal chinesa Norinco demonstrar interesse em adquirir 49% da Avibras. A proposta tem sido acompanhada por representantes do governo dos Estados Unidos.

Integrantes da diplomacia americana já comunicaram a membros do governo Lula (PT) que o envolvimento da Norinco na indústria de defesa brasileira poderia causar embargos dos EUA, já que a estatal chinesa sofre sanções da administração Joe Biden desde 2021.

A entrada dos chineses na negociação também pressionou o governo australiano a destravar o financiamento pedido pela DefendTex, segundo a rede Sky News.

A Austrália é um dos principais aliados de Washington. Em movimento recente, os americanos concordaram em vender seu primeiro submarino de propulsão nuclear aos australianos. O objetivo é conter a ascensão de Pequim no Indo-Pacífico.

A Avibras e a DefendTex confirmaram, em nota conjunta, a renovação do contrato de negociação.

“Ambas as empresas estão empenhadas em concluir o processo de aquisição e realizar o aporte de capital a partir do dia 30 de julho, visando a retomada das operações. Novas informações serão divulgadas em momento oportuno”, diz o comunicado.

A proposta da DefendTex para compra de Avibras é sigilosa. A Folha confirmou com três pessoas com conhecimento das negociações que os valores são de cerca de US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) para compra de mais de 50% da empresa brasileira.

Na prática, a Avibras deixará de ser brasileira se o negócio for fechado. A DefendTex se comprometeu a manter as fábricas no Brasil e honrar os contratos já firmados com as Forças Armadas brasileiras.

Três oficiais-generais ouvidos pela reportagem afirmaram, sob reserva, que a prorrogação do contrato de negociação não significa um avanço nas tratativas. Pode ser, na avaliação deles, uma estratégia para ganhar tempo diante da ofensiva chinesa.

Com as dificuldades do grupo australiano em conseguir empréstimo, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, chegou a afirmar em junho que a DefendTex tinha desistido da compra da Avibras.

Múcio ainda comunicou que havia uma nova proposta pela Avibras, sem citar a Norinco. “Estamos trabalhando para que isso aconteça”, disse o ministro na ocasião.

A Avibras Aeroespacial é a principal fornecedora brasileira de mísseis e foguetes para o Exército. Ela ainda é a única responsável por fornecer munições para o sistema Astros. Além disso, a empresa desenvolve o primeiro míssil tático de cruzeiro brasileiro, atualmente em fase final de testagem e com capacidade de atingir alvos a 300 km de distância.

Em março de 2022, a Avibras pediu recuperação judicial. De uma só vez, demitiu 420 de seus 1.500 funcionários. Os remanescentes estão sem salários há mais de um ano. Na época, as dívidas eram estimadas em R$ 570 milhões, montante que hoje beira os R$ 700 milhões.

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