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Autoridades do Irã participam de funeral de Ali Khamenei em meio a ameaças a Trump e Netanyahu

Estadão Conteúdo 05/07/2026 12:57

Autoridades do Irã e irmãos do novo líder supremo do País reapareceram publicamente neste domingo para acompanhar as orações durante o funeral do aiatolá Ali Khamenei. A presença das autoridades sinaliza uma nova confiança na segurança da cerimônia em um momento em que crescem apelos pela morte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A presença das autoridades diante de centenas de milhares de pessoas na capital, Teerã, seria algo impensável durante os períodos tensos da guerra dos EUA e Isreal com o Irã. Nos momentos iniciais do conflito, em 28 de fevereiro, ataques aéreos mataram Khamenei, então com 86 anos, além de membros de sua família e outros integrantes do governo.

Israel, por sua vez, mirou outras figuras que apareceram em público durante a guerra, utilizando a exposição pública em pelo menos um dos casos para rastrear e fixar a localização do alvo antes do bombardeio.

Já o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, permanece fora do alcance dos olhares públicos. Acredita-se que ele esteja escondido após ter sido ferido no ataque aéreo que matou seu pai. Israel fez ameaças de morte contra o novo líder, que agora comanda uma teocracia em negociações com os Estados Unidos para o fim definitivo da guerra e com relação ao bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, que vem afetando o fornecimento global de energia.

Ziba Naderi, uma enfermeira de 42 anos que compareceu ao funeral neste domingo, afirmou que o Irã precisa seguir toda e qualquer ordem que Mojtaba Khamenei determine para a nação. "Ouvi os clamores por vingança, mas nosso líder é quem deve dizer o que precisamos fazer; e nós devemos escutá-lo", disse ela.

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Funeral tem orações e clamor por vingança

O aiatolá Jafar Sobhani, um clérigo xiita de 97 anos, liderou as orações em memória de Khamenei e de seus familiares na Grande Mesquita Mosalla, em Teerã.

Estiveram presentes os filhos de Khamenei - Masoud, Meysam e Mostafa -, que não eram vistos desde o início da guerra. O chefe da Guarda Revolucionária, general Ahmad Vahidi - cuja primeira fotografia desde o conflito havia sido divulgada apenas na quinta-feira -, foi visto entre a multidão por jornalistas da Associated Press; ele estava com um boné preto, cercado por agentes de segurança à paisana.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e Esmail Qaani, comandante da Força Quds (braço de operações externas da Guarda Revolucionária), também compareceram.

As aparições ocorreram em meio a cartazes e pichações na Grande Mesquita Mosalla que pediam a morte de Trump e do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Mohammad Rasouli, poeta que atuou como mestre de cerimônias do evento antes das orações, puxou o coro de "Morte à América!" e "Morte a Israel!".

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Em discurso perante à multidão, pelos alto-falantes do funeral, Rasouli perguntou, referindo-se a Trump: "Por que o homem mais bastardo do mundo ainda está vivo?".

A pergunta foi ovacionada pela multidão, que voltou a aplaudir quando Rasouli afirmou que "o mundo não é mais um lugar bom para" Trump. O episódio marcou a primeira ameaça direta à vida do presidente dos EUA feita por uma autoridade durante o cortejo fúnebre.

Ameaças a Trump aumentam durante cerimônia

No mesmo momento, do outro lado do mundo, em Washington, D.C., o presidente americano discursava durante as celebrações do aniversário de 250 anos da independência dos Estados Unidos.

"Tivemos um sucesso estrondoso", declarou Trump sobre as forças militares americanas. "Olhem para a Venezuela, olhem para o Irã, nós os varremos do mapa junto com suas forças militares."

O funeral deste domingo atraiu um público significativamente maior que o do dia anterior. Enlutados vestidos de preto caminharam até o local carregando faixas e bandeiras em homenagem a Khamenei, além de cartazes pedindo a morte de Trump.

"Vim aqui para gritar e exigir vingança", disse Gholamreza Sabooni, de 29 anos, funcionário de uma mercearia. "Eles mataram o nosso imã, nós deveríamos matar o líder deles, Trump."

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Autoridades federais dos EUA monitoram há anos as ameaças iranianas contra Trump e outros integrantes de seu governo. A hostilidade vem desde a ordem dada por Trump, em 2020, para assassinar o general Qassem Soleimani que, na ocasião, liderava a Força Quds. O Irã negou repetidamente uma conspiração para matar Trump, embora peças publicitárias em jornais e canais de linha-dura sugiram que o presidente americano estaria há tempos na mira de Teerã.

Trump, por sua vez, fez diversas declarações em tom de ameaça ao Irã durante a guerra, como a em que mencionava que "uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressucitada".

Cerimônias adiam negociações com os EUA

O corpo de Khamenei será transportado para cidades no Irã e no vizinho Iraque. As autoridades planejam conduzir o caixão do líder e de outras vítimas pelas ruas de Teerã nesta segunda-feira. O governo bloqueou ruas, fechou o espaço aéreo e suspendeu as atividades cotidianas devido ao luto oficial, encerrado somente na quinta-feira com o sepultamento no santuário do imã Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei.

As autoridades não divulgaram estimativas oficiais de público para os eventos de sábado e domingo. Outras cidades do Irã também realizaram cerimônias fúnebres.

"Nossa política externa não deve ser conduzida de maneira que permita que o sangue de nosso líder martirizado seja desonrado, abrindo caminho para que outros países façam o que bem entendam sem uma resposta firme do nosso governo e do nosso sistema diplomático", afirmou o iraniano Mohammad Reza Sharifi durante a cerimônia.

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