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Autoridade Palestina muda de embaixador no Brasil após 17 anos

FolhaPress 28/11/2025 08:13

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Autoridade Nacional Palestina vai substituir seu embaixador em Brasília, Ibrahim Alzeben, após mais de 17 anos no cargo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Ele será substituído por Marwan Burini, atual embaixador palestino em El Salvador, que deve chegar a Brasília nos próximos dias. Já Alzeben permanece na capital, mas agora como representante da Liga dos Estados Árabes.

Alzeben é o principal diplomata palestino em Brasília desde pouco antes do reconhecimento, pelo Brasil, do Estado da Palestina, em 2010.

De acordo com o portal do Itamaraty, ele recebeu as credenciais diplomáticas do governo brasileiro em abril de 2008, quando a missão em Brasília ainda era uma delegação especial —a Autoridade Palestina é reconhecida por 157 países como governo da Palestina, Estado ainda sem base territorial soberana.

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A história de Alzeben no Brasil, no entanto, é anterior. Ele conta que serviu pela primeira vez no país entre 1989 e 1996, depois de um período na Bolívia. À época, a nação árabe atuava diplomaticamente em Brasília por meio de uma representação da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

De sua primeira passagem, quando era o número 2 da missão, Alzeben tem como momento mais marcante a visita a Brasília de Yasser Arafat, líder da Autoridade Palestina, em outubro de 1995.

"Arafat pisou no território latino-americano continental em duas ocasiões: 1980, numa visita à Nicarágua, e quando visitou o Brasil, na época do presidente Fernando Henrique Cardoso", diz.

De acordo com reportagem da Folha da época, FHC prometeu a Arafat ajuda para palestinos em áreas como agricultura, saúde e saneamento.

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Naquela visita, Arafat também teve um almoço com o então líder da oposição Luiz Inácio Lula da Silva, hoje presidente da República.

"Eu tive a sorte de acompanhar todo o período democrático [no Brasil]. Quando cheguei aqui, era o senhor presidente [José] Sarney. Depois foi [Fernando] Collor de Mello, Itamar Franco e logo Fernando Henrique", afirma Alzeben, ainda sobre seu primeiro período em Brasília.

Quando retornou, em 2008, na segunda gestão Lula, a delegação palestina já tinha sido simbolicamente equiparada ao status de embaixada.

Para o palestino, dois momentos marcaram sua gestão à frente da missão. O primeiro foi a conclusão da atual sede da embaixada, em 2016. O terreno, localizado a poucos quilômetros do Palácio do Planalto, foi doado em troca de espaço para a representação do Brasil em Ramallah.

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"O segundo momento foi quando tivemos a honra da visita do sr. presidente [Lula à embaixada]", completa Alzeben. No início de 2024, o petista plantou uma oliveira ao lado do embaixador.

Normalmente, diplomatas permanecem menos tempo nos países que os recebem. As missões em um posto tendem a variar de três a cinco anos.

O extenso período de Alzeben e de outros diplomatas palestinos pode ser explicado pelas dificuldades orçamentárias e de recursos da Autoridade Palestina para as transferências de pessoal no exterior. A entidade, criada nos Acordos de Oslo dos anos 1990, governa parcialmente a Cisjordânia e vive uma crise de legitimidade entre os palestinos dos territórios ocupados por Israel.

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