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Arqueólogos encontram megacidade perdida há 3.600 anos, na Idade do Bronze

FolhaPress 19/11/2025 15:12

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Arqueólogos identificaram um grande assentamento da Idade do Bronze no nordeste do Cazaquistão. A área estimada em 140 hectares indica que o local pode ter sido uma das maiores comunidades planejadas da região há cerca de 3.600 anos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O sítio arqueológico se chama Semiyarka. Ele fica sobre um penhasco com vista para o rio Irtysh, em uma área marcada por vários vales. A posição elevada facilitava o controle de circulação pelo rio e pelas rotas internas da estepe. Por isso, a região recebeu o apelido de Cidade das Sete Ravinas.

O estudo foi publicado na revista Antiquity pela Cambridge University Press. A pesquisa reúne equipes da University College London (UCL), da Durham University e da Universidade Toraighyrov, no Cazaquistão.

ESTRUTURAS PLANEJADAS

SESC PICASSO

Pesquisadores encontraram duas longas fileiras de terraplenagens. Elas formam bases retangulares alinhadas e divididas em módulos menores. Paredes de tijolos de barro foram identificadas no interior dessas plataformas. Segundo os arqueólogos, isso indica casas padronizadas e planejamento urbano pouco comum na estepe.

No ponto onde as duas fileiras se encontram existe uma construção maior. O estudo afirma que ela "era aproximadamente o dobro do tamanho destas unidades e pode ter tido uma câmara central ou pátio".

A equipe também encontrou escória, cadinhos, minérios e fragmentos metálicos. Esse conjunto aponta para atividades contínuas de fundição e produção de ligas. O artigo destaca que Semiyarka apresenta "as primeiras evidências firmes de produção em larga escala de bronze com estanho na estepe eurasiática".

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Metalurgia organizada. As análises mostram que os habitantes usavam minérios de cobre e estanho obtidos nas montanhas Altai, próximas às fronteiras atuais entre Cazaquistão, Rússia, Mongólia e China. A região é conhecida por depósitos metálicos explorados desde a antiguidade.

A arqueóloga Miljana Radivojevi?, da UCL, afirma que "Semiyarka transforma a forma como pensamos sobre as sociedades da estepe". Ela explica que o assentamento "demonstra que comunidades móveis podiam construir e sustentar assentamentos permanentes e organizados centrados em uma provável indústria de grande escala".

"[O local] representa um assentamento único com arquitetura planejada, incluindo uma estrutura monumental central, e evidências de produção organizada de bronze com estanho", diz trecho do estudo

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Materiais encontrados indicam ligações com as culturas Cherkaskul e Alekseevka Sargary. Elas ocuparam a região entre 1600 e 1100 a.C. A presença de cerâmica desses grupos mostra interação e circulação de técnicas e bens.

A localização próxima ao rio e às minas sugere que Semiyarka pode ter funcionado como um polo de comércio. O artigo descreve o sítio como "um centro significativo de produção metalúrgica".

Os pesquisadores planejam novas escavações. O objetivo é mapear o traçado interno, entender a organização das casas e medir a extensão completa da área industrial. A equipe também quer esclarecer o papel de Semiyarka nas redes comerciais da Eurásia durante a Idade do Bronze.

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