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Árabes em Israel estão mais vulneráveis a ataques de mísseis do Irã, diz jornal

FolhaPress 17/06/2025 08:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma reportagem do jornal israelense Haaretz apontou que comunidades árabes beduínas do sul de Israel, que vivem em vilarejos muitas vezes não reconhecidos por Tel Aviv, não têm acesso a abrigos antibomba e estão, dessa forma, mais vulneráveis a ataques de mísseis do Irã.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O jornal entrevistou cidadãos árabe-israelenses que vivem em cinco localidades no sul do país e que, sem infraestrutura para se proteger dos ataques iranianos, abrigam-se debaixo de pontes e em prédios abandonados —ou viajam até a comunidade judaica mais próxima para procurar um abrigo ou dormir em garagens subterrâneas.

No vilarejo de Dahiya, moradores construíram um abrigo antibomba improvisado com recursos próprios —trata-se de um bloco de concreto, pequeno demais para abrigar mais de uma família. Quando receberam alertas da Defesa Civil de que deveriam se proteger e ouviram as sirenes anunciando ataque aéreo, os homens de Dahiya decidiram enviar mulheres e crianças para o abrigo improvisado, enquanto eles próprios procuraram valas ou pontes sob as quais pudessem se esconder.

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Algumas casas no vilarejo de Qasr al-Sir foram destruídas por mísseis iranianos, disse ao Haaretz o morador Ibrahim al-Gharibi. Outras já estavam em processo de demolição pelo Estado de Israel, que considera al-Sir um assentamento ilegal.

Quando as explosões começaram, disse Gharibi, ele tentou acalmar seus vizinhos —sem sucesso. "As crianças gritaram a noite toda. Algumas pessoas correram para valas ou pontes, enquanto outras só ficaram paradas no meio da rua, dizendo: 'Vamos morrer aqui. Não há nada que possa ser feito.'"

Já na vila de al-Fura, onde não há nem um abrigo improvisado, a família de Mohammad al-Hassouni se escondeu em túneis debaixo de uma rodovia perto da sua casa, segundo o Haaretz. A filha de Hassouni, Amina, foi uma das poucas civis israelenses feridas nos ataques iranianos de abril de 2024.

Estilhaços de um míssil atravessaram o teto da casa da família e atingiram Amina, que vive em uma cadeira de rodas desde então. Ela e a mãe passaram a morar na cidade de maioria judaica de Adan, em um apartamento alugado que é acessível para a cadeira de rodas.

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A situação dos árabe-israelenses no sul do país é dificultada pelo fato de que muitos vivem em vilarejos beduínos que existiam antes da criação do Estado de Israel, em 1948, e que até hoje não são oficialmente reconhecidas pelo governo em Tel Aviv.

De acordo com organizações árabes locais, o não reconhecimento é uma tentativa de forçar os habitantes a deixarem suas terras —apesar de serem cidadãos de Israel, árabes beduínos que vivem em vilarejos não reconhecidos não têm o direito de eleger representantes locais e não têm acesso a serviços públicos como eletricidade, saneamento básico e coleta de lixo. Algumas vilas também sofrem demolições forçadas de casas.

Israel diz que casas só são demolidas em último caso, quando famílias se recusam a deixar terras que Tel Aviv considera "de propriedade do Estado". Desde os anos 1970, o governo israelense busca atrair árabes beduínos para cidades planejadas.

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Adnan, morador de Dahiya, disse ao Haaretz que os mísseis iranianos são só uma das ameaças existenciais que os beduínos enfrentam hoje. "O nosso próprio governo, liderado pelo [primeiro-ministro Binyamin] Netanyahu, quer destruir nossas casas. Não temos proteção, somos invisíveis. Ninguém nos enxerga como israelenses. Eles só vem aqui para destruir, nunca para ajudar. Só queremos viver em segurança."

Com o passar das décadas, alguns vilarejos conquistaram reconhecimento, mas eles ainda não têm o mesmo nível de proteção contra mísseis do que comunidades judaicas. O problema se repete no norte do país, outra região com concentração de vilarejos de maioria árabe.

Em 2024, o Haaretz mostrou que a cidade judaica de Carmiel, com 55 mil habitantes, tinha 126 bunkers públicos. O vilarejo judaico de Mikhmanim, com 600 habitantes, contava com dois abrigos antibomba. Já a vila árabe de Deir al-Asad, com 14 mil habitantes, contava com apenas um bunker, e Nahf, com população semelhante, não tinha nenhum.

Os árabe-israelenses representam cerca de 20% da população de Israel, ou 2 milhões de pessoas.

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