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Aposta nos EUA torna gigante de chips alvo eleitoral em Taiwan

FolhaPress 03/01/2024 09:35

TAIPÉ, TAIWAN (FOLHAPRESS) - A duas semanas das eleições presidenciais de Taiwan, a empresa-símbolo de Taiwan, a TSMC, maior fabricante de chips avançados no mundo, se viu dentro da campanha, no debate entre os candidatos a vice, realizado na segunda (1º).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os dois presidenciáveis da oposição, Hou Yu-ih e Ko Wen-je, vinham evitando a questão, mas seus companheiros de chapa questionaram o governo pelas fábricas que a TSMC está construindo no Arizona, nos Estados Unidos —sem a prometida contrapartida americana e ameaçando esvaziar a produção taiwanesa.

O assunto foi levantado pela vice de Ko, Cynthia Wu, que afirmou que os maiores investidores em Taiwan são Dinamarca, Japão e Austrália. "Quanto os EUA investiram?", cobrou, voltando-se para a vice governista, Hsiao Bi-khim:

"Senhora Hsiao, como enviada de Taiwan aos EUA, as relações bilaterais têm sido boas. A TSMC está investindo nos EUA, você também facilitou a importação de carne suína americana e assim por diante. Agora, quanto os EUA estão investindo em Taiwan?"

Vice de Lai Ching-te, que lidera as pesquisas, Hsiao defendeu o governo e sua própria atuação, ela que foi a representante diplomática em Washington até novembro. Sem números, agradeceu a empresas americanas como "Google, Amazon e Micron, que continuam a aprimorar e aumentar investimentos em Taiwan".

SESC PICASSO

A crítica maior foi de Jaw Shaw-kong, vice de Hou, segundo colocado nas pesquisas. Ele lembrou que o investidor americano Warren Buffett vendeu toda a sua participação na TSMC, com a justificativa do risco geopolítico de Taiwan, e que até a cantora Taylor Swift teria evitado se apresentar na ilha.

"Sem paz em Taiwan, ninguém quer investir", disse. Sem investimento, as empresas, "como a TSMC, têm que mudar para o exterior, é assim que esvaziamos Taiwan". O atual governo "provocou tensão no estreito, generais dos EUA têm dito que haverá guerra, então o investimento não vem".

Hsiao respondeu que era "desinformação" e que "o investimento estrangeiro continua entrando, em nível recorde". Diferentemente do que Jaw descreveu, segundo ela, as empresas "não estão tentando fugir" da ilha.

Especificamente sobre a TSMC nos EUA, Hsiao disse: "É uma empresa de que todos nos orgulhamos. Não é algo que você use para ganhos políticos. É uma montanha sagrada que protege a todos. Baseada em sua própria estratégia, nas necessidades de seus clientes, ela precisa ter maior presença global".

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Jaw, conhecido apresentador de TV, com programa semelhante ao de José Luiz Datena no Brasil, ironizou que "a América ama a senhora Hsiao". Citando que ela chegou a ter cidadania americana, perguntou para qual lado iria sua lealdade em caso de "conflito de interesses entre Taiwan e EUA".

O vice oposicionista indicou que o motivo para a TSMC entrar no debate, nesta reta final da campanha, foi a saída abrupta do presidente da empresa, Mark Liu, duas semanas atrás, logo após Washington adiar um estímulo bilionário programado para as fábricas.

"Talvez o motivo de ele ter se demitido sejam as dificuldades na construção das 'fabs' nos EUA", disse Jaw, buscando responsabilizar Hsiao e o governo. Nos últimos dias, a imprensa taiwanesa tem buscado explicar a demissão de Liu pelos problemas no Arizona.

O executivo foi o principal defensor das novas "fabs", como são chamadas as unidades de manufatura de chips, apesar da resistência do próprio fundador da TSMC, Morris Chang, 92, que não atua no dia a dia da companhia mas permanece sendo sua referência, com seguidas intervenções públicas.

Com uma previsão de investir US$ 40 bilhões (R$ 196 bilhões) nas duas unidades no Arizona, a TSMC enfrenta problemas desde que anunciou a decisão, em 2020. Encarando custos quatro ou cinco vezes maiores de construção e sem pessoal especializado para operação, a empresa adiou a abertura por um ano, para 2025.

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Analistas de tecnologia como Stanley Chao avaliam agora que, devido ao adiamento dos subsídios pelo governo Joe Biden e ao demorado licenciamento ambiental, além da relutância da cadeia de suprimentos taiwanesa em seguir a TSMC até o Arizona, a produção comercial deve ser adiada para 2026 ou 2027.

Teme-se, pelo que relata a imprensa de Taipé, prioridade nos estímulos para a americana Intel ou que eles acabem ficando para o próximo governo. A TSMC, que foi proibida por Donald Trump de vender chips para a chinesa Huawei, então um de seus maiores clientes, pode se ver sob pressão dele novamente.

O ex-presidente e seus colaboradores têm indicado indiferença e até rancor diante da empresa e da ilha. Mas outro analista de tecnologia, o americano Daniel Nystedt, baseado em Taiwan, acredita que não haverá "nenhuma grande mudança se Trump vencer a eleição".

O apoio bipartidário nos EUA "cria uma determinação poderosa", diz ele. "Biden prosseguiu com a posição sobre China iniciada pelo governo Trump, e eu espero que qualquer novo governo americano continue o bom trabalho de Biden também."

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