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Após fim de tabu, Mafê Costa quer liderar nova era na natação feminina

FolhaPress 25/08/2024 11:39

SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - Maria Fernanda Costa, 21, ainda era um rosto pouco conhecido até entrar pela primeira vez na piscina nos Jogos Olímpicos de Paris.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De início tardio na natação competitiva, apenas aos 14 anos, embora já medalhista de prata em três provas no Pan de Santiago-2023, a atleta viu olhares mudarem por completo com a sétima colocação alcançada nos 400 m nado livre na França.

O resultado quebrou um tabu de 76 anos, colocando pela primeira vez desde Londres-1948 uma mulher do país na disputa direta por medalha na prova. O feito também virou uma espécie de combustível pessoal para um sonho maior da nadadora.

Mafê, como é conhecida, espera agora capitanear uma espécie de nova era na natação feminina a partir de Los Angeles-2028.

"Tenho obstinação por uma medalha [olímpica]. E não quero isso só pelo lado pessoal, acho que a natação brasileira feminina precisa também. Perdemos muito valor com o passar dos anos mesmo com atletas muito fortes como Joanna Maranhão, Manuella Lyrio, Larissa Oliveira e a própria Gabrielle Roncatto. São exemplos de resultados, mas queremos entrar na história. Dar algo novo ao país para incentivar apoio a atletas mais jovens", disse.

SESC PICASSO

Das 15 medalhas conquistadas na natação brasileira desde o bronze de Tetsu Okamoto em Helsinque-1952, somente duas foram com mulheres -e nenhuma na piscina.

Os pódios femininos do país foram ocupados por Poliana Okimoto, bronze na Rio-2016, e Ana Marcela Cunha, ouro em Tóquio-2020, ambas na maratona aquática.

"Acho que precisamos iniciar um novo legado. Temos tido apoio, embora um pouco tardio. Eu precisei nadar muito, ter resultados muito expressivos para conseguir o primeiro suporte e chegar até onde cheguei. Acho que precisa começar de baixo, independente das que vão dar continuidade e ter resultados. Gostaria de ajudar para que outros invistam", analisa.

Natural do Rio de Janeiro, a atleta da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos, não esconde a obstinação pela volta aos treinos. Combinou uma pausa de apenas duas semanas com o treinador Fernando Possenti depois de competir no Troféu Maria Lenk, mas já pensa no ciclo de daqui quatro anos.

CONTADOR - BONUS

"Já estou olhando para Los Angeles. Quando acabou a minha prova, disse ao Possenti: 'não quero fazer isso nos Estados Unidos, temos que treinar'. Ele me pediu para vivenciar o hoje, para nadar feliz e aproveitar o restante e Paris, por mais que não tenha sido como queria", afirma.

"Este ano tem ainda o Mundial e já quero pensar em 2025, com Mundial no meio do ano, Troféu Brasil... sem descansar", completa.

Em Paris, a nadadora ainda disputou a prova dos 200 m livre, ficando fora da final por 52 centésimos. Ela terminou a classificatória na 11º colocação.

Mafê também conquistou a sétima colocação no revezamento 4x200 m por equipe, ao lado de Stephanie Balduccini, Gabrielle Roncatto e Maria Paula Heitmann, igualando a melhor marca da história brasileira na modalidade, nos Jogos de Atenas-2004, mas viu o seu nome ligado indiretamente a uma polêmica.

A sua ausência no revezamento 4x100 m teria sido um dos motivos da briga da nadadora Ana Carolina Vieira e a comissão técnica de natação. O caso teve enorme repercussão.

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"Eu havia falado que participaria, sim, mas ao chegar em Paris o cenário foi diferente por conta de problemas com transporte, horários de competição que mudaram. Ficou tudo mais tarde, com um intervalo longo dos 400 m para o revezamento. Pouco descanso entre as eliminatórias e, por isso, o Possenti conversou com a comissão técnica pedindo para me retirar para priorizar os 400 m nado livre. Entreguei nas mãos dele, até pela confiança. Sabendo que já participou de outros Jogos e conheço. E não tiro minha responsabilidade. A única coisa que espero é respeito. Não sei exatamente o que houve, não estava lá, mas essa foi minha decisão", argumenta.

Vieira teve sua expulsão anunciada pelo COB e afirmou que uma "falha de comunicação" destruiu seu sonho de competir no evento.

Maria Fernanda Costa, contudo, só espera nadar e fazer história. Para isso, precisará trabalhar para desbancar a australiana Ariarne Titmus, campeã olímpica com o tempo de 3min57s49. A brasileira fechou em 4min03s53.

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