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Apoio a Ricardo Ferraço e Serginho Vidigal põe liderança de Weverson à prova na Serra

Vitória News 10/10/2026 07:28
Apoio a Ricardo Ferraço e Serginho Vidigal põe liderança de Weverson à prova na Serra
Foto: Reprodução/RS

Por Marcelo Rossoni

O resultado das urnas na Serra deixou uma cobrança incômoda para as lideranças que se apresentavam como comprometidas com Ricardo Ferraço (MDB) e Serginho Vidigal (Podemos). Entre anunciar apoio e construir uma votação capaz de sustentar um projeto político, existe uma distância que discursos, fotografias e declarações de confiança nem sempre conseguem percorrer.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na disputa pelo governo estadual, Ferraço recebeu 67.631 votos no município, contra 132.959 de Lorenzo Pazolini (Republicanos). A diferença de 65.328 votos merece mais do que uma explicação protocolar. O adversário conquistou 52,87% dos votos válidos, enquanto o candidato apoiado pelo grupo que administra a Serra ficou com 26,89%.

Para o prefeito Weverson Meireles (PDT), o placar impõe uma pergunta sobre a capacidade de mobilização de sua liderança. Como explicar que o compromisso anunciado com Ferraço tenha convivido com uma vitória tão expressiva do principal adversário justamente no município governado por seus apoiadores?

O eleitor tem vontade própria, evidentemente. Prefeitura não é proprietária de votos, e apoio político não constitui ordem de serviço. Isso, porém, não dispensa quem assume publicamente uma candidatura de responder pela campanha que ajudou a conduzir. Se a adesão era firme, cabe mostrar como ela se traduziu em presença, articulação e convencimento.

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O caso de Serginho Vidigal exige uma leitura diferente, mas também cobra explicações. Ele foi o candidato a deputado federal mais votado na Serra, com 60.835 votos, à frente de Lucas Polese (PL), que recebeu 46.112. Portanto, houve apoio eleitoral relevante. Ainda assim, a primeira posição no município não lhe assegurou uma cadeira na Câmara dos Deputados.

A cobrança, nesse caso, recai sobre o alcance da mobilização prometida. Para as lideranças que assumiram o compromisso de elegê-lo, o resultado obriga a discutir se a campanha fez tudo o que podia, se ampliou sua base e se conseguiu transformar o prestígio do grupo em uma articulação suficiente para alcançar o objetivo.

A votação de Renato Casagrande (PSB) acrescenta um elemento desconfortável à comparação. O candidato ao Senado recebeu 121.389 votos na Serra e liderou a disputa no município. Embora sejam eleições distintas, o desempenho mostra que havia espaço para uma candidatura apoiada pelo grupo alcançar uma votação expressiva. O êxito de Casagrande torna ainda mais necessária uma explicação específica para a derrota de Ferraço no município.

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Os números não demonstram, por si, falta de empenho ou abandono de aliados. Demonstram, entretanto, que o apoio anunciado produziu resultados muito diferentes. É nessa diferença que Weverson e as demais lideranças precisam se explicar, sem atribuir ao eleitor toda a responsabilidade por uma campanha cuja condução também lhes cabia.

Na política, declarar apoio costuma ser a parte mais confortável. A fotografia registra o compromisso; a urna cobra sua consequência. Na Serra, ficou uma prestação de contas pendente: quanto daquele entusiasmo chegou às ruas e quanto permaneceu acomodado no discurso?

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