Ana Marcela Cunha diz não se preocupar mais com a água do rio Sena

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Campeã olímpica na maratona aquática em Tóquio-2020, a baiana Ana Marcela Cunha, 32, havia externado em março sua preocupação com a qualidade da água do rio Sena, onde será realizada a prova de 10 km durante os Jogos Olímpicos de Paris, no dia 8 de agosto.

Faltando pouco mais de dois meses para o início das Olimpíadas na França, a balneabilidade das águas do Sena não é mais uma preocupação para a nadadora.

“Não estamos preocupados com relação a mais nada”, afirmou Ana Marcela em conversa online com jornalistas nesta terça-feira (14) diretamente de Roma, na Itália, para onde a campeã olímpica se mudou no ano passado para treinar com o técnico Fabrizio Antonelli.

“Acho que o momento em que eu me preocupei, e na entrevista que falei com relação justamente a gente poder estar competindo no rio Sena foi no momento certo, o momento em que o próprio comitê organizador se preocupou em dar uma resposta para a gente”, disse.

Dentro dos esforços de permitir a realização da maratona aquática no Sena, no início do mês, os organizadores dos Jogos inauguraram em Paris um reservatório que irá impedir que resíduos oriundos da rede de esgotos da capital francesa sejam despejados no rio.

“Eu acho que a gente vira uma chave, a gente confia muito no que eles vão fazer para que essa prova aconteça”, afirmou Ana Marcela.

Ela acrescentou que o comitê organizador dos Jogos passou aos atletas a possibilidade de haver um plano B, mas ressaltou tratar-se de um tema confidencial, sem abrir mais informações a respeito. A própria atleta já havia pleiteado a possibilidade de uma alternativa ao Sena na prova da maratona aquática em Paris-2024.

“Vai ter [a prova da maratona aquática] dia 8 de agosto, nós estamos preparados e seja o que Deus quiser. Onde quer que seja”, disse Ana Marcela. “Com toda certeza, o que tiver que ser feito para ter segurança e para eles poderem fazer a prova, dentro do que é permitido, vai ser feito.”

A nadadora afirmou ainda que, embora prefira provas no mar, tem também experiência em disputas realizadas em rios e lagos. Ela disse que a forte correnteza do Sena vai ser um dos principais diferenciais em termos de posicionamento e estratégia de prova para os atletas.

Ana Marcela falou também sobre a reta final da preparação para a disputa de sua quinta Olimpíada e a rotina de treinos ao lado das principais adversárias —entre as companheiras de treino na Itália, estão a alemã Leoni Beck, campeã mundial da maratona aquática em 2023 e a italiana Rachele Bruni, prata na Rio-2016.

“A gente se conhece muito do dia a dia, principalmente dos treinos, sabemos onde uma é mais forte e onde a outra está melhor”, disse a nadadora.

Embora haja naturalmente o desejo de vencer as adversárias, Ana Marcela ressaltou que há também amizade entre elas. “No final de semana a gente vai em uma praia, na casa de alguém, se reúne e está tudo certo. Realmente o sangue ferve na água, a disputa é grande, mas uma coisa que eu aprendi aqui é que acabou, estamos juntos, parabéns e vida que segue.”

A campeã olímpica brasileira afirmou também que uma das maiores dificuldades que enfrentou em sua adaptação na Itália, além da língua, é em relação a alimentação.

“Se você pegar todos os dias da semana, de manhã e tarde, de noite, almoço e janta, e tentar ficar comendo só massa, vai ter uma hora que você vai falar, meu Deus, não aguento mais”, afirmou Ana Marcela.

Ela disse que, por conta da dieta com que se deparou na região, passou a tentar se alimentar mais em casa, onde consegue fazer um prato mais brasileiro, com arroz e feijão preto acompanhado de banana e uma proteína. “É uma forma de a gente se sentir um pouco mais próximo de casa”.

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